segunda-feira, 26 de maio de 2008

Despedida de um Herói!


Hoje escreverei sobre um momento ao qual todos presenciamos na data histórica de 25 de maio de 2008. A despedida de um dos maiores atletas brasileiros de todos os tempos. Falo de Gustavo Kuerten. O maior tenista que o Brasil já teve, e um dos 20 melhores de todos os tempos. Se não fosse pelas graves lesões, seria, tranqüilamente, um dos dez melhores.

Não irei falar sobre a pessoa Guga (pois não há muito mais o que falar, além de comentar o que todos nós já sabemos: ele é um exemplo a ser seguido por todos, não pela suas conquistas, mas devido ao seu caráter, seu modo de pensar e, principalmente, modo de agir!), mas irei comentar sobre como o nosso amado país o trata e, levantar uma teoria caso ele nascesse em um país vizinho, na Argentina.

Primeiramente, se nos focarmos no início de sua carreira, nós (brasileiros) nem o conhecíamos. Nem os profissionais da área (treinadores de tênis), acredito, que também mal o conheciam. O jogador de futebol é diferente... Aos 10 já é famoso, 16 assina contrato com um clube e, aos 17 vai para a Europa. Tudo bem! A situação de hoje é assim. A de 10 anos atrás era diferente... Acrescente um ano em cada fase citada anteriormente. Mesmo no futebol ainda há jogadores que passam despercebidos em inúmeros clubes.
Voltando ao tênis, Guga surgiu em 1997, aos 20 anos de idade, ao conquistar o título de Roland Garros (em sua primeira participação em torneios de "Grand Slam"), vencendo os melhores da época e na final, derrotando o espanhol Sergi Bruguera (que era bi-campeão desse torneio). Após essa conquista, Guga virou mania nacional. Veio o bi-campeonato em 2000, onde também, no qual foi sua melhor temporada, ele foi campeão da "Masters Cup", tornando-se o único tenista a derrotar, em dias seguidos, Pete Sampras e Andre Agassi (considerada sua melhor atuação na carreira). Além disso, consagrou-se como primeiro tenista brasileiro a ocupar o primeiro lugar no ranking da ATP.
Veio o tri de Roland Garros em 2001, que consagrou-o como lenda na França.







Mas como em qualquer outro atleta de elite, seu organismo vivia em uma linha tênue entre o ápice do rendimento e a lesão. O tênis, assim como diversos esportes, é uma atividade muito repetitiva. Imagine ficar durante mais de 3 horas rebatendo uma bola com a maior força possível, quase que ininterruptamente, além de treinos extremamente longos - digo ainda que alguns, como treinos de saque e técnica, são desnecessariamente longos. Qualquer desequilíbrio que você possua em seu corpo, provavelmente ele será agravado, até se tornar uma lesão crônica. Foi o caso de Guga.

Porém, a lesão faz parte do esporte - É NATURAL. Embora muitos colegas da área não pensem assim. Preferindo assim, evitar ultrapassar limites com MEDO da lesão. Há uma linha de pensamento muito forte na área de treinamento com pesos que pensa assim. Uma linha que está dominando até o cenário do esporte de alto rendimento (por incrível que pareça há atletas que treinam sempre com um treinador ao redor sempre preocupado em lesão!).

A palavra da moda: "overtraining" ou "supertreinamento". Que nada mais é do que treinar demais, sem repouso adequado e sem alimentação adequada. Mas o problema é que "overtraining" não pode ser visto como um bicho de sete cabeças. Todo o atleta (amador ou profissional) que treina sério já passou por situações de "overtraining". O que diferencia de um que não se lesiona para o que se lesiona é a capacidade de auto-percepção, de conhecer a si mesmo. Se o atleta possui uma noção de seu corpo, quando chegar ao extremo de sua condição física, ele mesmo sentirá que estará no limite. Nosso corpo envia sinais (abaixa a imunidade, aparecendo gripes, dores de cabeça, cansaço em demasia, falta de concentração, ansiedade, sono, etc.), aos quais, cabe ao atleta e aos treinadores serem capazes de diagnosticá-los. Os treinadores e preparadores físicos, ao perceberem ou serem comunicados que seu atleta se encontra em estado de "overtraining", se os mesmos possuirem o mínimo de humildade, deverão aceitar o fato que tenham, talvez, exagerado em seus planejamentos, e, então, realizarem as devidas modificações.
A lesão de Guga ainda não foi explicada. Sobre esse tema, irei optar pelo silêncio para evitar complicações e más interpretações. Mas que algo como a má iniciação ao desporto (falta de vivência em outras modalidades, por exemplo) e um fraco reforço muscular (poh! Guga come banana até hoje, enquanto outros atletas utilizam algumas substâncias que nem na lista do doping devem aparecer)... Isso é certo! - talvez seja uma "Teoria da Conspiração" adaptada por "Dall'Aqua", mas que acredito fielmente. Isso sim!... Bom... Resumidamente, a lesão de Guga apareceu e seu rendimento caiu. Essa lesão o incomodou durante o restante de sua carreira.
Mesmo assim, em 2004, Guga derrotou (em Roland Garros) o então melhor tenista da época (e até hoje o é) Roger Federer por 3 sets a 0. Ultima partida que Federer perdeu por 3 a 0 até hoje. Apesar disso, a mídia nacional chegou a criticar Guga. Alguns comentaristas esportivos chegaram até denominar suas atuações de "vergonhosas" ou "apáticas". Pegaram no pé de Guga durante um tempo da mesma forma que pegam no pé de Romário, Ronaldo, Ronaldinho. Mas cá entre nós, comparar Guga com qualquer um desses é muita estupidez. Guga é de outra nação. De outro continente. Outro Mundo! Guga é aquela pessoa que se não fosse famosa, seria igual ao que é hoje. É um herói. E assim como nossos Heróis (não aqueles heróis que Pedro Bial "consagra" nos Big Brother's) Guga será esquecido pelo povo ou não tão lembrado como deveria (espero que esteja errado).




Assisti no canal Sportv, nesse fim de semana, a um programa sobre atletismo, onde apareceu uma ex-atleta da modalidade salto em altura, Aida dos Santos Menezes que, para as Olimpíadas de Tóquio 1964, no Japão, teve que saltar 5 vezes o índice olímpico, pois o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) não queria levar uma atleta, e muito menos uma atleta negra para Tóquio. Na vila Olímpica ela foi isolada. Sem treinador e sem sapatilhas para treinar e competir, ela treinou por si mesma, e conseguiu, antes da competição, um par de sapatilhas emprestadas de um atleta cubano. Mesmo com uma lesão no tornozelo (pois sem treinador as chances são maiores de lesão), Aida dos Santos conquistou o quarto lugar. Ela até hoje participa de competições masters, e mesmo sendo de origem humilde, se formou em educação física, geografia e pedagogia. Heroína brasileira. Muito pouco ou nada lembrada em nosso país.





Aida dos Santos - Heroína brasileira nos Jogos Olímpicos de Pequim, 1964.

Poderia contar a história de inúmeros outros atletas nossos que fizeram tanto pelo esporte, porém hoje ninguém os lembra. É só irmos ao Museu do Esporte aqui em Porto Alegre para observarmos. Apenas fotos de jogadores de futebol, árbitros e em menor escala, jogadores de vôlei e basquete e por fim, alguns ginastas da moda e tal. Esporte? Será que essa palavra, para o brasileiro é sinônima de futebol? Quantos comentaristas esportivos que só falam sobre futebol nós temos na televisão? E mesmo assim, será que os ídolos do passado são lembrados como deveriam? Olha o Pelé. Admirados por todos lá fora. Aqui, tem alguns ainda que se dão ao trabalho de prestarem atenção nas bobagens que Maradona fala e apresentam programas inteiros com um debate: Será Maradona melhor que Pelé? Fala sério.

Mas é um exemplo marcante de como nós desvalorizamos o que é nosso. Maradona, não servindo nem para limpar chuteiras do Pelé, na Argentina é idolatrado até hoje. Mesmo nunca sendo um atleta exemplar e ex-usuário de drogas. Caso alguém argumentar que é devido a Copa do Mundo. Bom, Pelé tem 3. Outros títulos, não há nem comparação. Capacidade atlética? Maradona, mesmo com todas as substâncias dopantes no planeta não chegaria à capacidade que Pelé tinha. Assistam ao filme do Pelé (não ao que o Chaves insiste em assistir). Corria muito, era forte, saltava igual a um levantador de peso (com muita potência - olhem a foto abaixo de Pyrros Dimas e vejam o quanto ele pulava em suas comemorações), tinha agilidade, flexibilidade, etc. Um atleta, para os padrões da época, perfeito. Hoje, talvez, Mariusz Pudzianowski seja esse atleta.

Pyrros Dimas - Tri-campeão olímpico de Levantamento de Peso e um dos melhores levantadores de peso de todos os tempos. De acordo com Stone e Kirksey in Garrett Jr. e Kirkendall (2003), os levantadores de peso chegam a saltar verticalmente com as pernas estendidas (um dos testes padrões para a avaliação de potência dos membros inferiores), em média, 75.4 cm, superando nesse estudo, atletas do basquete, futebol americano, velocistas, saltadores, etc.




Mariusz Pudzianowski - 4 vezes o campeão do "The World Strongest Man" - corre, possui flexibilidade, coordenação, potência, velocidade, agilidade e, além de tudo, pesa mais de 130 kg em 1.86m de altura.



Retornando novamente ao tema principal, Guga. Será que se ele fosse argentino ele seria mais valorizado. Certamente. Até o tênis seria mais desenvolvido após sua consagração. No Brasil ficou na promessa. Continua tudo como era antes de Guga. Alguns poucos e bastante teimosos treinadores ainda comandam nosso tênis. Raras as oportunidades em que observamos profissionais capacitados como o Ms. Charles Lopes fornecendo prescrição e montagem de treino para alguns tenistas mais conscientes. Não há planejamento em relação à formação e seleção de talentos. Mas se nem no futebol há isso! Como poderia exigir que houvesse no tênis?! Erro da minha parte. Desculpem-me.
Como posso afirmar que na Argentina seria diferente? Olhem o basquete. Houve planejamento. Surgiu uma equipe campeã olímpica. Continuou esse planejamento, mesmo após algumas derrotas. Não precisa mudar por causa de uma derrota. Assim como a lesão, a derrota também é NATURAL! (Lembram das variáveis do rendimento? São muitas...). Provavelmente, após a era Ginobili, haverão outros. Após a era Messi, surgirão outros. Após a era de Contempomi e Corleto (jogadores de rugby) surgirão outros. Por que? Porque nesse país vizinho há PLANEJAMENTO. Planejamento foi o que fez o internacional ser um time forte. Não digo ser campeão da Libertadores, pois aí, de acordo com Dall'Aqua em sua "Teoria da Conspiração", algo maior está por trás disso. Nem comento sobre o Mundial.


Felipe Contempomi - Um dos destaques da Argentina no Mundial de Rugby em 2007.














Manu Ginóbili - Jogador do San Antonio Spurs e líder da Argentina na conquista da Medalha de Ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004.


Finalizando, Guga não recebeu ainda nem um décimo das homenagens que deveria receber de nós (brasileiros). Espero que sejamos capazes de imortalizá-lo em nossa história, pois o que ele conquistou e, principalmente, como ele conquistou são ensinamentos que podemos e devemos transmitir aos nossos descendentes.





Para mais informações, dúvidas ou sugestões, comentem ou enviem um e-mail para rdallsantos@hotmail.com.

Obrigado!

Rodrigo Dall'Aqua

terça-feira, 20 de maio de 2008

Sistema Endócrino


Após adquirirmos um pequeno conhecimento sobre a história dos EAA, e observarmos que seu uso não é recente, iremos abordar a parte fisiológica relacionada aos EAA. Definindo os tipos de Esteróides, mecanismos de ação, etc.
Antes de falar sobre a endocrinologia, acredito ser relevante citar um trecho de Pancorbo Sandoval (2005) que é de extrema relevância no âmbito da história (postagem anterior).
Em seu livro, "Medicina do Esporte", ele cita que a palavra "doping" não é proveniente do idioma inglês, é derivada do termo "dop", procedente do dialeto kaffir na África do Sul, para denominar um licor forte consumido pelos membros das tribos dessa região como forma de estimulante durante suas cerimônias religiosas. Esse termo foi adaptado na linguagem bôer - ou seja, dos descendentes de colonos, principalmente, dos Países Baixos, Alemanha e França que se estabeleceram na África do Sul nos séculos XVII e XVIII - e, posteriormente, seu uso foi ampliado para outras bebidas e estimulantes. Vários outros termos são reconhecidos para identificar a palavra, porém todos têm o mesmo sentido.
Pancorbo Sandoval (2005) também descreve a história do "doping", desde os anos 300 a.C., onde há uma pintura de um imperador da época mastigando uma rama de "ephedra" , planta que contém efedrina - anfetamina do grupo das substâncias aminas simpaticomiméticas na relação do COI. Estimula o coração e a circulação, alivia a asma e a congestão nasal e diminui a sensibilidade à dor.
Estudos recentes mostram que a efedrina durante a dieta ajuda na preservação dos músculos enquanto reduz a gordura, sendo que a cafeína e a aspirina a tornam mais efetiva (SANTOS, 2007).


Outro importante marco histórico sobre o "doping" ocorreu em 1910, quando o químico russo Bukovski realizou a primeira análise científica para demonstrar a presença de substâncias alcalóides na saliva do cavalo (PANCORBO SANDOVAL, 2005).
Logo em seguida, como dito na postagem anterior, em 1935 a testosterona foi sintetizada. Nesse ano, a testosterona foi isolada na forma cristalina por três grupos: o grupo de Butenandt e Hanish apoiados pela Schering Corporation, em Berlim; o grupo de De Lepold Ruzicka e A. Wettstein em nome de Ciba, e depois o grupo de David do Grupo Laqueur e sua equipe, em Amsterdã, que reportou o isolamento de um composto cristalino a partir de testículos de touro (10 mg de 100 kg) (STRAUSS e YESALIS, 1991; BAHRKE e YESALIS, 2002; STONE, 1993).




No início da década de 1950, de acordo com Santos (2007) os cientistas descobriram que a testosterona tinha duas qualidades distintas: a anabólica e a androgênica. A qualidade anabólica está associada à qualidade de construir tecido muscular, enquanto a qualidade androgênica associada ao efeito da feminilização nos homens (ginecomastia) e outros efeitos colaterais indesejados, e masculinizantes nas mulheres, como voz profunda (engrossamento da voz), pele grossa, pêlo facial e corporal, etc.
De acordo com Stone et al. (1993), uma das principais ações fisiológicas dos androgênios é a estimulação da proteína anabólica ou da fase construtiva do metabolismo no corpo. Muitos estudos e revisões foram publicadas nas últimas décadas sobre o efeito dos esteróides androgênicos na massa e composição corporal, força, capacidade aeróbia e rendimento em seres humanos. Muitas dessas investigações foram conduzidas utilizando estudantes universitários que tiveram a mínima experiência com treinamento com pesos (CASNER et al. 1971; FAHEY e BROWN, 1973).



As principais conclusões desses estudos em relação às respostas do nosso corpo e comportamento ao aumento da concentração de androgênio durante a puberdade foram:
(a) completo desenvolvimento das características sexuais primárias, como crescimento do pênis, aumento da freqüência de ereções e aumento do interesse sexual;
(b) mudanças na pele e seus derivados, incluindo crescimento de pêlos na região genital, e aumento do tamanho e espessura do coração e engrossamento da voz;
(c) aceleração do crescimento dos ossos e do desenvolvimento da massa muscular;
(d) o período da puberdade também é associado à mudanças no aspecto psicológico, particularmente em relação à imagem corporal e identidade própria (STONE et al., 1993).
Porém, esses fatores acima são devidos também aos fatores anabólicos dos hormônios esteróides, pois, como cita Stone et al. (1993), ainda não existe um esteróide anabólico puro, que não possua efeitos androgênicos.
A natureza do corpo humano é tal que ele não pode sobreviver sem algum método de comunicações internas. Os humanos desenvolveram dois desses sistemas de comunicação interna: o sistema nervoso, que responde rapidamente usando vias neurais específicas para receber e enviar informação por todo o corpo; e o sistema endócrino, um grupo de glândulas livremente associadas, que regulam os processos fisiológicos em uma velocidade muito mais lenta do que o sistema nervoso (McMURRAY e HACKNEY, 2003).
Os hormônios são substâncias químicas sinalizadoras. São formados por células especializadas que, muitas vezes, são agrupadas formando as "glândulas endócrinas" (KOOLMAN e RÖHM, 2005).




Por meio da integração dos sistemas de comunicação, o corpo "mantém a homeostase" - termo muito discutido pelos cientistas pois, o nosso corpo m alguns sentidos podemos dizer que somos homeostáticos (temperatura corporal, que mesmo assim há variações entre repouso e em atividade), porém prefiro citar que nosso corpo sempre procura se "manter" o mais próximo possível da "homeostase", realizando ondas, de altos e baixos, sobre o dito "ponto ideal", usando o termo "homeodinâmica" - bem como responde e "adapta-se"* ao estresse (McMURRAY e HACKNEY, 2003).
* Também prefiro outro termo, pois, de acordo com estudos biológicos, a adaptação está associada à seleção natural e explica como a vida se modificou ao longo do tempo, sendo tais modificações resultantes de mutações gênicas irreversíveis ocorridas no DNA do organismo e transmitidas de uma geração a outra após passarem pelo crivo da seleção natural. Charles Darwin (seus inúmeros estudos podem ser acessados gratuitamente no site: http://www.darwin-online.org.uk/), explica que, para haver adaptação são necessárias gerações e gerações, sendo fundamental que as forças de seleção natural proporcionem uma variação dos genes no mesmo. Assim, é recomendável a área do treinamento físico a escolha de outro termo para nomear as alterações "momentâneas" (agudas ou crônicas) que nosso organismo sofre em resposta ao treinamento.
Calabrese (2002) cita como "efeito hormético" ou "hormese", ou seja, uma resposta supercompensatória ao desequilíbrio da homeodinâmica, provocado por determinado estímulo estressante (não necessariamente sendo essa supercompensação resultado do treinamento físico, mas um efeito genérico inerente à vida sob estresse moderado). A hormese é o resultado de uma modificação crônica, porém não necessariamente uma adaptação da espécie, pois os filhos de atletas ainda não possuirão as mesmas modificações de seu pai sem o mesmo estímulo. Os conceitos de adaptação, de acordo com Moran (1994) tem que ser diferenciados dos conceitos de "ajustamento" - pode ser visto como sinônimo de hormese - onde o primeiro deve ser empregado quando as mudanças estruturais-funcionais ocorrerem irreversivelmente com possibilidade de transmissão para outras gerações devido ao seu valor adaptativo para a espécie.
Já as alterações de ajustamento, podem ser devido à quatro fatores: regulador, aclimação, aclimatação e desenvolvimento, os quais serão comentados em artigos futuros.


Adaptação



Hormese

Continuando, os hormônios transferem sinais hormonais por migrarem do local de sua formação para o local de sua ação. Se o transporte ocorrer pelo sangue (mais comum), refere-se a um efeito endócrino. Mas se o transporte ocorrer através das glândulas sudoríparas e pelo trato digestivo, o efeito será exócrino. Os hormônios teciduais, cuja células-alvo encontram-se vizinhas às células glandulares têm um efeito parácrino (célula próxima). Se a substância sinalizadora agir sobre a própria célula que a produziu, trata-se de um princípio de efeito autócrino (célula produz e é afetada pelo hormônio). Encontra-se esse efeito freqüentemente em células tumorais que, dessa forma, estimulam a sua própria proliferação.
O sistema endócrino consiste de um grupo de nove glândulas e alguns tecidos específicos livremente associados encontrados por todo o corpo. Essas glândulas secretam hormônios para o sangue, caminho o qual eles serão transportados para o "órgão alvo" (Koolman e Röhm, 2005). A liberação de hormônio é comumente controlada pelo mecanismo de "feedback", ou seja, as glândulas percebem a necessidade do hormônio (usualmente a partir do sangue), e então, o hormônio é liberado, move-se até o tecido-alvo e corrige o distúrbio. Uma vez corrigido, os sinais são enviados de volta à glândula, geralmente pelo sangue, para reduzir a liberação do hormônio. Entretanto, alguns mecanismos de "feedback" não tão simples assim e envolvem múltiplos órgãos e glândulas. Independentemente do mecanismo de "feedback", o propósito da resposta endócrina ainda permanece o mesmo: manter a existência do organismo humano (McMURRAY e HACKNEY, 2003).
O "feedback negativo" ou "efeito rebote" trata-se de uma resposta em mesma ou maior proporção em relação há uma ação hormonal. Por exemplo, quando você ri demais, há, logo em seguida uma sensação de depressão (PEREIRA, 2007).
Existem duas classificações químicas de hormônios: os baseados em aminoácidos, e os baseados em esteróides, ou seja, do ponto de vista químico, a maioria dos hormônios são derivados de aminoácidos, peptídeos e proteínas ou esteróides.

McMurray e Hacney (2003) afirmam que os hormônios esteróides são sintetizados a partir do colesterol nas gônadas e no córtex adrenal, sendo lipossolúveis e, por isso, podem difundir-se diretamente para dentro da célula. Dentro dela, eles combinam-se com um receptor (receptor intracelular), que, por sua vez, desloca-se para uma proteína associada ao DNA, iniciando a atividade do gene.

Os hormônios esteróides mais importantes, de acordo com Koolman e Röhm (2005) e Stone et al. (1993), são:

PROGESTERONA (hormônio sexual feminino que prepara o útero para uma possível gestação, além de ser responsável pelo desenvolvimento das glândulas mamárias);

ESTRADIOL (representante mais importante dos estrogênios. Controla o ciclo menstrual, é responsável pelo aparecimento dos caracteres sexuais secundários como mamas e distribuição de gorduras);
TESTOSTERONA (é o esteróide sexual masculino (androgênio) mais importante. Produzido nos testículos (células de Leydig). Responsável pelo funcionamento e desenvolvimento das gônadas masculinas. Também determina os caracteres sexuais secundários masculinos - MÚSCULOS, pêlos, etc.);

CORTISOL (formado pela supra-renais, age de forma regulatória sobre o metabolismo das proteínas e dos carboidratos, promovendo a degradação de proteínas e a transformação de aminoácidos em glicose, elevando o nível de glicose no sangue - os glicocorticóides sintéticos são utilizados como medicamentos devido ao seu efeito antiinflamatório e imunossupressivo);




Já os hormônios baseados em aminoácidos (a maioria) variam em tamanho - de complexos aminoácidos simples a grandes moléculas - e entram na célula por meio de exocitose para efetuar uma resposta, mas a maior parte tipicamente não entra diretamente dentro da célula. Eles comumente combinam-se com um sítio receptor na membrana celular, o qual ativa outro componente no citoplasma, um "segundo mensageiro" para efetuar a resposta dentro da célula.

Espero ter fornecido uma leitura mais agradável sobre um tema muito teórico e com muitos termos relacionados à química e à bioquímica de difícil compreensão, até para estudiosos da área. Este artigo foi apenas uma introdução ao componente metabólico do sistema endócrino. Futuramente serão citados novamente esses hormônios e seus modos de utilização, ganhos e seus efeitos colaterais (maléficos e benéficos ao rendimento e à saúde).

Obrigado!

Rodrigo Dall'Aqua

domingo, 11 de maio de 2008

Introdução aos Esteróides Anabólicos-Androgênicos (EAA)


Ao postar um artigo sobre esse tema de extrema delicadeza, decidi tomar os devidos cuidados, para que não haja más-interpretações sobre o assunto. Por isso, esse artigo será baseado nas principais referências mundiais sobre o uso de esteróides no esporte. Porém, como disponho de inúmeros artigos sobre esse tema, logicamente, não serei capaz de lê-los em apenas uma ou duas semanas.
(A foto ao lado mostra um Esteróide Anabólico-Androgênico [EAA] usado em animais e muito utilizado pelos praticantes de musculação)
Assim, dividirei o assunto em diversos tópicos, até para facilitar a compreensão e abordá-lo através de uma linguagem menos técnica (científica).



O nome "esteróide" é originado de uma palavra grega que significa sólido. O nosso corpo é capaz de produzir mais de 600 tipos diferentes de esteróides, incluindo a testosterona, sendo que a maioria manifesta as atividades do hormônio masculino.



Existem vários motivos que levam uma pessoa a utilizar os esteróides anabólicos. O principal é buscar melhorar o desempenho, principalmente entre os atletas. Porém, cada vez mais não-atletas vem utilizando essas substâncias, objetivando apenas melhorar a aparência e sem ambições em aumentar a performance.



Yesalis afirma que em 1988, nos Estados Unidos, pesquisadores norte-americanos descobriram que aproximadamente 7% dos adolescentes masculinos já tinham usado EAA, sendo que muitos não participavam de atividades esportivas na escola.



O Dr. José Maria Santarem acredita que a situação atual em relação ao uso de EAA é semelhante à que ocorreu com o tabagismo no início do século XIX, ou seja, a utilização por grande número de pessoas aparentando boa saúde tende a estimular a noção de segurança.



Mas a história dos EAA é muito mais antiga. Os antigos gregos faziam uso de cogumelos alucinógenos, e os gladiadores de Roma tomavam estimulantes naturais para superarem a fadiga e os machucados (CATLIN e HATTON, 1991; MILLAR, 1996).



Em relação às pesquisas científicas, Santos (2007) cita que em 1849, um cientista alemão chamado Berthold fez uma experiência simples com seis pássaros, onde mostrou que as mudanças nas penas, ocorridas quando eles foram castrados, poderiam ser prevenidas se os testículos removidos fossem transplantados para dentro da cavidade abdominal. Esse experimento tornou claro que a substância masculinizante ativa estava na corrente sangüínea e não envolvia o SNC (Sistema Nervoso Central), como diziam muitos cientistas no fim do século XVIII.



O dr. Charles Kochakian foi o cientista mais importante na pesquisa hormonal, sendo considerado o pai dos esteróides anabólicos. No início da década de 30, dr. Kochakian demonstrou que o hormônio extraído da urina de machos estimulava forte balanço nitrogenado positivo em cães castrados. Essa pesquisa estabelecia a propriedade anabólica e a construção de tecidos pela testosterona.



Mas foram os alemães, na Segunda Guerra Mundial que desenvolveram os esteróides, experimentando inicialmente em cães, e depois os generais alemães, conscientes de que a testosterona poderia aumentar muito a agressividade no homem, começaram a fornecê-la para as suas tropas que eram enviadas aos campos de batalha. Essa mesma testosterona fora também utilizada para ajudar vítimas dos campos de concentração nazistas. Além de ser usada nos prisioneiros, no intuito de mantê-los saudáveis, porque sofriam de má nutrição significativa (SILVA, DANIESLKI e CZEPIELEWSKI, 2002).





Os nazistas injetavam EAA nos prisioneiros judeus para mantê-los "saudáveis".


Os cientistas alemães, trabalhando durante a Segunda Guerra Mundial, foram os primeiros a sintetizar os esteróides anabólicos. Sendo, os alemães acusados de terem conduzido maciças experiências com prisioneiros humanos envolvendo esteróides anabólicos (FRANKE e BERENDONK, 1997).


Alguns dos experimentos nazistas na II Guerra Mundial.



Porém, os resultados dessas pesquisas nunca foram publicados. De acordo com Gallaway, no livro "The Steroid Bible" - A Bíblia do Esteróide - (1997), há rumores de que Adolf Hitler utilizava esteróides anabólicos, e especula-se que seu uso tenha ampliado sua personalidade agressiva.




Adolf Hitler - Há rumores de que ele tenha utilizado EAA.





Em um artigo alemão, de Franke e Berendonk (1997) sobre o doping na República Democrática da Alemanha (Alemanha Oriental) , é descrito um programa secreto do governo para a promoção do uso de drogas (EAA) para o aumento do desempenho nos esportes. Várias teses secretas de doutorado, reportagens científicas, procedimentos e simpósios de especialistas serviram como colaboradores não-oficiais para o Ministério de Segurança Pública, e revelaram que, desde 1966, centenas de fisiologistas e cientistas, incluindo professores de ponta, dirigiram pesquisas em relação ao doping e prescreveram tanto drogas, como também a preparação de drogas experimentais não aprovadas, sendo esses cientistas sentenciados a prisão em 1998 (UNGERLEIDER, 2001 - comentado na edição de 20 de Junho de 2004, no New York Times).



Bandeira da ex-União Soviética - país que, junto com a Alemanha, foram e são os principais pesquisadores sobre EAA.



Na metade do século passado, muitos atletas russos e europeus começaram a considerar que os esteróides proporcionavam-lhes muitos benefícios. Assim, os levantadores de peso russos foram considerados os primeiros atletas a competirem internacionalmente fazendo o uso dos EAA.
Atualmente, uma pesquisa com os competidores de atletismo nos Jogos Olímpicos de 1972, em Munique na Alemanha, revelou que 68% dos atletas já havia usado EAA antes, sendo que 61% desses, havia usado nos últimos 6 meses (YESALIS e COWART, 1998).




Ben Johnson - Recordista mundial dos 100 metros (9.79 seg) e punido na mesma prova por uso de doping.




Equipe Nacional da Grécia de Levantamento de Pesos - Esporte que é o mais marcado pelo uso de doping devido à extrema rigorosidade do Anti-doping.




Observamos que cada vez mais os atletas (e não-atletas) estão fazendo uso dessas substâncias. Porém, o que desejo esclarecer com esses artigo, é que, assim como diversas outras drogas (álcool, cigarro, e assim por diante), o esteróide anabolizante pode não ser uma droga maléfica. Mas a falta de informação sim, ela faz com que o uso de qualquer substância possa ser prejudicial.




Sou a favor e contra o uso dessas substâncias. A favor quando o usuário possui o conhecimento, e acima de tudo, possui um objetivo bem delineado, sabendo dos riscos e conseqüências que o uso das mesmas proporcionam. Completamente contra o que acontece atualmente, principalmente no mundo das "academias" (fitness) - prefiro o termo "ginásios" ou "centros de treinamento com pesos" ao termo "academia" - onde os usuários a utilizam sem controle, objetivando única e exclusivamente a melhora da estética (mesmo sem pretensão de competir em fisiculturismo). Alguns (creio que esteja se tornando até epidemia) estão com tanta dismorfia muscular* (falarei sobre esse tema futuramente - também chamado de vigorexia ou anorexia inversa) que utilizam até óleo para aumentar o volume nos braços (principalmente) e panturrilhas.




Percebemos que essa discussão pode gerar muita polêmica. Por isso, espero que os leitores opinem e comentem sobre suas experiências, conhecimentos e postem suas dúvidas. Finalizo uma breve introdução histórica sobre esse assunto, que hoje, infelizmente, anda concomitantemente com o esporte de alto rendimento. No próximo tópico, explicarei como funciona os EAA e como ele age no nosso organismo.

Obrigado!

Rodrigo Dall'Aqua

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Eenvelhecimento Precoce


Começarei essa coluna comentando sobre um atleta brasileiro que, assim como todos os levantadores de peso e praticantes de outras modalidades nesse país, não recebe nem 50% das congratulações e respeito que esse mesmo país fornece aos nem tão eméritos assim jogadores de futebol. Esse atleta a quem me refiro chama-se RICKSON GRACIE.




Rickson possui uma enorme admiração e respeiro lá fora, no Japão e no "mundo" Oriental. Um mundo completamente diferente do nosso. Ainda.




Nesse "mundo", ele é visto como um Samurai, que derrota seus oponentes com a mente. Não que ele não possua um físico espetacular, muito bem treinado, mas seu poder de concentração é fora do normal. Ele possui um cartel de mais de 400 lutas, e ainda não conhece o sabor da derrota. Lutas muito contestadas. Alguns invejosos dizem que ele ganhou todas porque nunca lutou contra os melhores do MMA (Mixed Martial Arts - Vale-Tudo). Mas, na minha opinião, 400 lutas são 400 lutas.




Ele acredita que as lutas do Pride, UFC e outras organizações, são muito violentas, perdendo a magia do confronto entre os diferentes tipos de artes marciais. Opinião dele. Discordo, pois admiro o Pride e UFC. Porém, respeito a opinião de um grande vencedor e, ao mesmo tempo, tenho total certeza de que, se ele resolvesse competir nesse tipo de combate, ele seria um grande vencedor. Pois sua força está muito bem trabalhada. Talvez tivesse alguns combates duros com Mirko, Fedor e Rodrigo Minotauro. Talvez perdesse algumas lutas. Mas com certeza seria a mesma lenda que é hoje! E mesmo assim, continuaria sendo renegado pela mídia esportiva brasileira, que pouco (ou nada!) comenta sobre essa modalidade esportiva. Comenta mais sobre fórmula 1, stock car, e outras modalidades que Galvão Bueno é "especialista". Sem comentar no "créu". Nem menciono futebol, voleibol e outras modalidades com bola. Não teria nem graça.
RICKSON GRACIE é a prova que existe a possibilidade de irmos contra 99,9% da população ocidental, que acredita que após os 30 anos de idade você se torna “velho” demais, incapacitado para certas atividades, como por exemplo, jogar futebol, lutar, levantar peso.





Refiro-me a população ocidental devido que no Oriente, observamos uma cultura um tanto que diferente, onde com o passar dos anos o Homem não se torna menos capacitado, e sim, mais sábio, apto a ensinar! Infelizmente, a "ocidentalização" do oriente, as vezes faz com que esse valor seja mal compreendido.





Não podemos confundir o termo "mais experiente" com "desempenho". Experiência está relacionada única e exclusivamente com o tempo. Quanto mais tempo de prática, mais experientes nos tornamos. Já o desempenho, esse é um fator que possui incontáveis variáveis. O desempenho, chamado também de “performance” pode ser atribuído ao "momentum", ou seja, quando dois atletas de mesmo nível competem entre si, o que estiver em um melhor momento, vencerá. Porém esse "momentum", possui diversas outras variáveis como o psicológico (não aquele psicológico que os comentaristas “esportivos” tanto falam na televisão). Psicológico, como qualquer outra valência física, é treinável. Mas não através de festas e palestras de psicólogos como comumente acontece no “Mundo do futebol”. Psicológico se treina através de muita dedicação, mentalizando, meditando, e até ouvindo palavras de incentivo e de superação.





Levantadores de peso e basistas sabem muito bem o que é isso. Fisiculturistas e lutadores também, assim como atletas de diversas outras modalidades (principalmente as individuais). Porém, claro, existem atletas (ou treinadores) que desconsideram. Optam apenas pelo caminho mais fácil: as drogas – o doping! (outra variável da performance). Quem usa a melhor substância, treina melhor, possui uma melhor recuperação e conseqüentemente, um melhor rendimento na prova ou no jogo.




Repouso também auxilia (e como!) no rendimento, assim como a alimentação (fundamental). A iniciação ao esporte (aos esportes, melhor dizendo) é de extrema importância caso queiramos produzir um futuro atleta campeão olímpico. Como exemplo, podemos citar a China (sede dos Jogos Olímpicos de 2008), onde a criança aprende em torno de 6 modalidades esportivas diferentes por semestre na escola. Diferentes modalidades, que poucos possuem conhecimento ou prática aqui no Brasil, como paddel, badminton, squash, taekwondo, rugby, luta greco-romana, yoga, etc. Tudo isso os chineses aprendem sem sair da escola! Não precisam pagar aulas particulares ou serem convidados a fechar contrato com determinado clube aos 15 anos. Ao finalizar o segundo grau, eles certamente possuem uma experiência corporal enorme, tornando-os mais aptos para a especialização em uma determinada modalidade esportiva. Muito diferente do Brasil, onde aprendemos algumas modalidades com bola (futebol, futsal, voleibol, handebol e basquetebol) e, em algumas escolas aprende-se judô e outras artes-marciais. Ou seja, o que nós, brasileiros, aprendemos durante toda a nossa vida escolar, os chineses aprendem em, no máximo, um ano. Mas isso é pauta para posterior discussão.




Retornemos ao nosso tema principal: noção de “velhice”. Como citado anteriormente, Ryckson Gracie é o maior exemplo de que, mesmo após a juventude, podemos realizar todos os nossos desejos. Nunca é tarde para re-começar. Ele não precisou re-começar, porém ele, através de sua mente, trabalhada ao limite, possui condições de enfrentar lutadores com a metade de sua idade.
A ciência por muitos anos propagou a idéia de que, após os 30 anos de idade, o homem começa a produzir menos testosterona, diminuindo assim, a capacidade de produzir força e potência. Porém, os cientistas menos estudiosos (e são muitos!) levaram essa afirmação ao pé da letra! Ou seja: “passou dos 30, está piorando, caindo!” A mídia apoiou. Até hoje ouvimos vários “estudiosos” comentaristas (que na real são apenas pessoas com internet ao lado e que lêem as estatísticas como se fossem leis) afirmando com a maior autoridade que tal jogador tem que se aposentar, ou que certo lutador tem que parar de lutar porque será muito desigual ele lutar contra alguém no “auge dos vinte anos”. Será que a idade pesa tanto quanto dizem? Acho difícil, até porque a definição de anos foi o próprio homem quem inventou. Assim, será que aos 29 você está no auge, e aos 30 está no fundo do poço?


O que argumento é que a ciência não está errada. Porém, quando tratamos de indivíduos fisicamente ativos e, principalmente, atletas de elite, a história é completamente diferente. Em esportes como levantamento de peso, fisiculturismo e atletismo, onde a iniciação ainda não está tão precoce, observamos que os atletas possuem o ápice de sua carreira próximo ou após os 30 anos. Porém, naqueles esportes em que a iniciação esta sendo muito precoce, como é o caso do futebol, onde, hoje, há crianças de 12 anos que estão se tornando semi-profissionais (pois o que fazem na vida é apenas jogar futebol), esse auge é antecipado. Alguns dizem que se torna melhor do que seria caso esse ápice fosse mais próximo dos 30 anos. Mas será que essas pessoas que afirmam isso não são os empresários? Lógico, para eles, quanto mais cedo melhor. Porém para o próprio jogador, essa especialização precoce é extremamente maléfica. Futuramente as lesões aparecerão. E estão aparecendo. Vejam todos os jogadores que estão surgindo nesses últimos anos. Alguns escapam das lesões agora através de outros métodos (nada melhor que “injetar” algumas substâncias para fortalecer a musculatura!), porém, ainda não existem métodos que fortaleçam os tendões, e assim, hoje as lesões não aparecem, mas amanhã, elas tornar-se-ão mais graves.




Vejam bem, comecei falando sobre envelhecimento precoce, e agora me deparo comentando sobre especialização precoce! Assim, a conclusão mais lógica é que, quando houve uma iniciação esportiva adequada, podemos observar que os atletas, mesmo após os 30 anos, sempre estiveram em forma e em um nível ótimo de desempenho (não esquecendo que não podemos levar em consideração o desempenho esportivo para determinarmos se aquele(a) atleta está apto ou inapto para a prática do esporte, pois desempenho é muito complexo) como observamos atletas que não possuíram essa adequada iniciação esportiva, especializando-se cedo demais, e que, ao chegarem nos 30 anos, tiveram que se aposentar.





Contudo, o mais importante é que, seguindo o exemplo de Rickson Gracie, que ao ser questionado sobre sua idade, ele sempre responde a data de nascimento e diz que "está pronto!", explicando que não deseja se tornar parte do nosso sistema, um sistema em que se você possui menos de 25 anos é considerado jovem demais, e mais de 30, velho demais. Ele criou dentro de sua mente, seu mundo. E nesse mundo, sua idade é insignificante. O que é importante é sua mentalidade – mental – mente; idade – idade – idade mental. Assim, possuindo essa mentalidade jovial, ele sabe que é capaz realizar tudo que desejar. Nós também somos. Porém, a diferença da maioria de nós para uma pessoa como Ryckson, é que ele possui uma maior experiência sobre sua mente, enquanto nós ainda temos que descobrir a nossa para ficarmos “prontos”.

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Rodrigo Dall'Aqua

segunda-feira, 28 de abril de 2008

ENTREVISTA I

Atleta: Xandão
Nome: Carlos Alexandre da Silveira Dias.
Data de Nascimento: 25 de outubro de 1956.
Modalidade: Levantamentos Básicos




PREFÁCIO

Durante 3,5 bilhões de anos as bactérias (pró-cariotes) foram resolvendo, passo a passo, todos os encadeamentos bioquímicos que edificam e decompõem os constituintes da vida. Desenvolveu-se o primeiro DNA. As bactérias passaram então a fazer simbioses entre si, gerando o núcleo e os protistas. Elas aprenderam mil maneiras de aproveitar as substâncias inanimadas a fim de produzirem a si mesmas, de se manterem vivas e de se reproduzirem. Aprenderam biologia molecular – e como!
Desenvolviam-se no mar as algas azuis (3 bilhões de anos atrás), inventoras da clorofila – fonte de energia solar, universal, gratuita para todos os viventes.
Os invertebrados moles, no mar, começaram, redondo, a 700 milhões de anos, e com os esqueletos, a 570 milhões de anos.
Também no mar surgiram os primeiros vertebrados, os peixes, antes da existência dos vegetais. Os mamíferos apareceram 50 milhões de anos antes das aves.
Após o surgimento dos mamíferos, foi uma questão de tempo (milhões de anos) para que surgisse o Australopithecus, Paranthropus e Kenyanthropus, todos com hábitos semelhantes de vida, assim como o seu aspecto parecido com o chimpanzé. Depois houve a evolução para Homo ergaster e Homo erectus,...chegando a subespécie nossa "Homo Sapiens sapiens".



Séculos e séculos se passaram. Então, após tantas guerras e destruições...eis que surge...na metade do século XX, a CAVERNA!




A bióloga Lynn Margullis, nascida um século após Darwin, também possui um conhecimento amplo e profundo sobre tudo que é vivo e dotada de uma inteligência e sabedoria excepcional, encontrou um número infindável de fatos que mestre Charles ignorava. Baseada em fatos, avançou na idéia pela qual vem batalhando tenazmente, contra a resistência de diversos biólogos mais tradicionais: toda a vida é simbiótica! A natureza desde bem cedo descobriu que juntar dois ou mais indivíduos de espécies diferentes é a maneira mais fácil de produzir “superorganismos”!
Como é lógico: para os seres vivos 1 + 1 não são 2. É outra coisa.
Partindo dessa filosofia, Zeus (ou Júpiter), o rei dos deuses, deus do céu, da luz do tempo, do raio e do trovão. Também provido de enorme conhecimento e sabedoria, resolveu descer a Terra para procriar com outro tipo de ser vivo, porém mortal: o ser humano. Assim, como resultado dessa procriação, surgiu Xandão –O Gigantão!


Entrevista
1. Explique as modalidades do Levantamento Básico. E qual o senhor considera mais importante?
As modalidades são supino, Levantamento Terra e Agachamento. Em minha opinião o Agachamento é o exercício mais importante por compor todos os grupos musculares do nosso corpo. E para realizar um agachamento não é para qualquer um. É o melhor desenvolvimento de supino, melhor desenvolvimento do Levantamento terra, esse é o atleta competente para fazer o agachamento.
2. Comente sobre sua história dentro do halterofilismo. E comente os pontos mais marcantes.
Minha história faz 35 anos. Comecei com 15 anos, na antiga Força e Saúde em Porto Alegre (onde hoje é um supermercado). Mas 30-60 dias depois, meu tio, que me introduziu (introduziu no sentido de colocar-me na prática do halterofilismo): Flávio Moraes, quem me levou para a Academia Atlas, aonde iniciei, com o Turcão (meu primeiro mentor, meu primeiro treinador), a prática do exercício de halterofilismo. A história é longa.
Tudo começou com os campeonatos internos em academias. 21 campeonatos gaúchos, 4 Pan-americanos, 3 ou 4 Sul Americanos e 4 brasileiros (todos na modalidade do Agachamento).-Pontos mais marcantes.
Os mais importantes não foram os campeonatos. Foram a parceria e a interação com as pessoas com quem até hoje praticam esse exercício (que não é para qualquer um!). Se existe um exercício escolhido, ele é o halterofilismo.
3. Principais títulos e conquistas ao redor do Mundo do Halterofilismo.
Mundo do halterofilismo?! Muito Obrigado! Você não tem fita para gravar tudo isso. Meu principal título é ser amigo dos atletas (e ser um) da academia Physical.
4. Quais são seus maiores ídolos no esporte? E seus mentores?
Eu devo muito para meu tio Flávio Moraes, no ano de mil novecentos e alguma coisinha, quem me trouxe para o halterofilismo. E a pessoa mais importante durante o meu re-começo no mundo dos halteres foi o senhor Rubem Carlos (ou Tubarão!)
5. Qual sua opinião em relação aos esteróides?
O atleta de ponta... muito cuidado nessa sua pergunta! (e por sinal muito inteligente)...O esteróide anabolizante é um produto químico necessário para atleta de ponta. Nós somos brasileiros, e como brasileiros somos mal informados. Se nós tomamos...você já deve ter ouvido a expressão “bombado!”. Isso é uma grande ofensa para um halterofilista. O esteróide anabolizante pode ser necessário quando há o acompanhamento médico; e quando instruído também por um profissional de Educação Física, de Fisioterapia, etc. No acompanhamento de um exercício físico orientado. Não tenho nada contra o esteróide anabolizante. Eu sou completamente contra fenótipos criados temporariamente objetivando um resultado simplesmente visual, pois o resultado em termos de rendimento absolutamente não existe nesses casos.
6. Você se lesionou há aproximadamente um ano e meio. Você acredita que a lesão faz parte do esporte? Acreditando que ela faz parte de um processo de seleção natural, onde o atleta que supera a lesão torna-se mais forte?
Perfeito. Praticamente respondeu tudo. Só se lesiona quem ousa. Quem deseja a superação. Exercício a 100% da carga para um atleta de halterofilismo não existe. Sempre acima disso. A lesão é momentânea e temporária. Pior seria a dor se eu não treinasse.
7. Sendo o halterofilismo uma modalidade esportiva individual, a concentração é um fator fundamental. Oleshko (2008) cita que a primeira fase, tanto no arranque quanto no arremesso nos levantamentos de peso (estilo olímpico), é a “interação do atleta com a barra”. Você acredita? Comente.
Acredito. A segunda fase é a respiração. A terceira fase é a concentração (que já estava presente na primeira fase, então podendo ser considerada como uma subdivisão da primeira fase) e movimento final, ele faz parte do treinamento (do dia-a-dia). Esta interação final ela faz parte desses momentos, se essa interação não houver, não existe o exercício (competitivo no caso).
8. Você voltará a competir?
Certamente! Estou vivo, não estou?! Estou treinando! Na única academia que existe. Possui condições em termos de peso, psicológico, grupo, equipe e atletas. Estou fazendo o que aqui, se não sou competidor?!

Mestre Tubarão, Xandão e Rodrigo

Terminamos a entrevista com um dos maiores (em tamanho, conquista e em caráter) atletas que o nosso Rio Grande do Sul já teve em competições de força, que por sinal, ainda são muito pouco (ou nada) divulgadas nesse país. A entrevista foi em um tom de brincadeira para tornarmos a leitura mais agradável, sendo qualquer parentesco do entrevistado com o deus da mitologia grega, Zeus, apenas mera coincidência!

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Rodrigo Dall'Aqua

Levantamento de peso - Capacidades motoras (parte I)

O levantamento de peso tem como capacidades inerentes: coordenação, técnica, força (máxima), potência (força rápida/explosiva), sendo que também exige um bom nível de flexibilidade.
Ao falarmos sobre capacidades motoras (gerais e específicas) e cognitivas, estamos nos referindo aos aspectos fundamentais na preparação do atleta, os quais abrangem: a preparação física geral e especial; a preparação técnica, tática, psicológica e teórica (intelectual) (FORTEZA DE LA ROSA, 2006).
Dividiremos as capacidades motoras em duas partes: as capacidades motoras especiais – capacidades extremamente importantes para o bom rendimento de um levantador de peso, ou seja, as capacidades que devem ser trabalhadas de forma mais intensa; e capacidades motoras gerais – que também são importantes para o rendimento, porém não são determinantes e também não precisam ser desenvolvidas ao máximo (por exemplo, o levantador de peso não necessita ter o mesmo nível de flexibilidade de um ginasta, porém é sempre importante que ele possua uma flexibilidade ótima na região do quadril, dos ombros e dos membros inferiores).
Capacidades motoras especiais Ao falarmos de capacidades motoras especiais, estamos nos referindo às capacidades primárias exigidas no esporte, no caso o Levantamento de Peso. Segundo Verkhoshanski (2001), a experiência motora é a capacidade que determina a rapidez de realização da ação motora. O próprio Verkhoshansky (1991) cita que o mais importante componente específico na preparação de atletas de alto rendimento é a tarefa de desenvolver o potencial motor dos mesmos.Neste tópico iremos conceituar e especificar estas capacidades.
Coordenação - Para Bompa (2002), a coordenação é uma capacidade física que possibilita ao indivíduo assumir a consciência e a execução, levando-o a integração progressiva de aquisições, o que favorece a uma ação ótima dos diversos grupos musculares na seqüência de movimentos com um máximo de eficiência e economia. Relacionada com a velocidade, a força, a resistência e a flexibilidade, a coordenação capacita o atleta para ações motoras em situações previsíveis e imprevisíveis.
É importante entender o que é coordenação (capacidade coordenativa). Hollmann e Hettinger (2005) a definem como a ação sinérgica do sistema nervoso central e da musculatura esquelética dentro de uma determinada seqüência de movimentos, e a colocam-na como uma forma de solicitação motora e Zilio (2005) cita que sua manifestação nunca ocorre de maneira isolada e independente, pois ela está presente em qualquer ato motor.
Para finalizar, observamos na literatura, que as capacidades e habilidades coordenativas devem ser mais trabalhadas com as crianças. Tudo no seu devido tempo, sem pular etapas. Isso não significa que quando adultos ou ainda adolescentes não devamos mais estimular estas capacidades. Pelo contrário, devemos especificá-las, buscando desenvolver suas variações, relacionando-as com o esporte praticado (PLATONOV, 2004; BOMPA, 2002; WEINECK, 2003; BARBANTI, 2005).
Na prática, observamos que a coordenação e a técnica são trabalhadas de uma forma conjunta, ou seja, não existe exercício de levantamento de peso que trabalhe a técnica e não a coordenação, e vice-versa. Técnica - Segundo Tubino (1979), por preparo técnico, isoladamente, entende-se o treinamento dos fundamentos técnicos individuais acrescidos das estratégias ensaiadas, tudo com o sentido de realizar a prática com recursos técnicos suficientes para o alcance do êxito nos objetivos formulados, executando uma tarefa da forma mais objetiva e econômica possível, porém, Weineck (2003) afirma que o significado da técnica não é o mesmo em todas as modalidades esportivas, sendo que a complementação técnica de um treinamento tem diferentes significados de acordo com a modalidade esportiva.
Verkhoshansky (1995) cita que nos eventos de velocidade-força, a carga de volume não é tão importante quanto à habilidade (técnica). Assim, o que é mais importante é determinado pela eficácia da essência da carga de treino, através da devida combinação e continuidade dos diferentes métodos (incluindo técnica), e também da correta distribuição de altos volumes de carga ao longo do ano, e da alternância de treino e descanso ativo.
Platonov (2004) divide a aprendizagem da técnica em 3 etapas:
- Etapa do Aprendizado Inicial (criam-se imagens sobre a ação motora, nas quais se estabelece a orientação para assimilá-la, prevenindo eliminando os erros);


- Etapa do Aprendizado Aprofundado (aperfeiçoamento da técnica esportiva, suas dinâmicas e cinemáticas, assegurando sua correspondência com as particularidades dos alunos);

- Etapa da Consolidação e Posterior Aperfeiçoamento (aquisição técnica específica para uma modalidade esportiva, onde se estabiliza o hábito e aperfeiçoa-se a variabilidade oportuna em relação às individualidades do desportista).


Principalmente nas duas últimas etapas, deve-se tomar muita atenção com a aquisição da técnica, pois, de acordo com Garhammer (1993) a junção da cinemática da barra muda pouca coisa sobre um período de anos, uma vez que a técnica básica do levantamento for estabelecida. Por exemplo, a altura máxima da puxada durante a competição de arranque para levantadores de elite talvez flutue apenas 2 ou 3 cm ao longo de muitos anos, enquanto o peso levantado e a produção de potência possa aumentar em uma faixa de 10 a 20%. Por isso, para um dado atleta o principal desafio, enquanto o rendimento aumenta sobre o tempo, será na capacidade de produção de potência e não em parâmetros cinemáticos ou aspectos técnicos associados aos levantamentos.
Os métodos de ensino da técnica sugeridos por Hortz & Weineck (1983), apud Weineck (2003) são: método total (instrução direta do movimento como um todo) e método parcial (instrução de movimentos mais difíceis e complexos, treinados em partes), que é bastante utilizado no levantamento de peso (HE, 1992; CHARNIGA JR. 2003).


Charniga Jr. (2003) e He (1992) citam que “o treino de levantamento de peso é baseado na técnica”. E a base dessa afirmação vem da idéia de que existe uma possibilidade real de uma interação negativa com a barra das qualidades físicas, assim como uma transferência negativa de hábitos motores resultados de uma seleção de exercícios de treino e do treinamento de pesos.
Oleshko (2008) concorda com os autores citados anteriormente ao afirmar que um dos principais fatores para uma eficaz preparação de um atleta é o seu grau de domínio da técnica e execução dos exercícios de força.
Vorobyev apud Charniga Jr. (2003) cita que uma importante peculiaridade dos exercícios de levantamento de peso é a sua breve realização, o que torna muito difícil e até relativamente impossível de programar uma consciente correção durante o levantamento da barra, e a possibilidade de impor correções de ações motoras durante o levantamento de pesos máximos é extremamente limitada. Assim, deve ser esclarecido que será menos errôneo se o movimento for automatizado a partir de um controle consciente, e dirigido para um nível baixo de regulação para os estágios neurais mais simples, ou seja, no início da prática da modalidade. Por isso, é surreal para um levantador de peso “pensar” em seu movimento durante o arranque ou o arremesso, ao mesmo tempo em que, com sucesso, levanta a barra com seu máximo de peso possível, sendo que o tempo total ao qual ele levanta a barra, tanto no arranque quanto no arremesso, é de apenas poucos segundos.
Conclui-se que os critérios para o preparo técnico dependem do nível de treino, da qualificação, da categoria de peso e da idade do atleta a ser treinado, pois ao treinar um jovem levantador de peso, deve-se levar em conta, principalmente, o nível de domínio da técnica e de procedimentos isolados, como a utilização de exercícios de preparação especializados, além do uso dos exercícios competitivos (OLESHKO, 2008).
Para o conteúdo não ficar tão maçante, deixaremos a parte da força (força especial e força geral para o levantamento de peso) e a parte cognitiva para a próxima semana, onde também teremos uma entrevista com um vitorioso atleta gaúcho dos levantamentos básicos (modalidade do halterofilismo que será abordada futuramente).
Dúvidas ou sugestões: postem comentários ou enviem por e-mail para rdallsantos@hotmail.com.
Obrigado!
Rodrigo Dall'Aqua dos Santos

domingo, 27 de abril de 2008

Esporte & Meditação


Hoje abordarei um tema novo para mim, um tema que até então considerava ser parte de um segundo plano (mesmo tendo aulas com o Doutor Benno Becker! – famoso psicólogo e escritor de livros como “Manual de Psicologia do Esporte & Exercício” e “Manual de Treinamento Psicológico para o Esporte”, este em colaboração com Dietmar Samulski, outro grande Doutor).
Quando digo Doutor com a letra D em letra maiúscula, não me refiro ao fato de ter um mero doutorado (sem desprezar), porém, pretendo dizer que o fato de você ter desejado ser um doutor em certa área não lhe assegura que você seja melhor que ninguém. Conheço muitas pessoas que mal possuem um título de graduação, porém são digamos “superiores” a diversos “doutores” que devido a esse título conquistado (ou cedido, pois “cá entre nós”, em alguns lugares você tem que, desculpe-me o termo, “puxar o saco” de outros doutores com d minúsculo, para poder ser orientado pelos mesmos), são egocêntricos como os famosos que observamos na televisão todos os dias.
Também não me refiro aos médicos, aos políticos, advogados e aos engenheiros a quem todos chamamos de doutores com a maior “admiração”, pois exercitam profissões que no século XX eram consideradas as mais respeitadas. Não defendendo o meu lado apenas, porém vejo que existem inúmeras outras a quem também devemos o respeito. Educação Física é uma delas, pois ela não só abrange o corpo como também a mente. Algo que pouco conhecemos e que as outras profissões da área da saúde desconsideram, ou se a consideram, como a psicologia, não consideram o corpo.
Infelizmente, poucos profissionais da Educação Física dão valor à mente. Ao cérebro. Ao psíquico. Ao sentimento. A grande maioria foi levada pelas aulas de “BodyMarketing” onde observamos um professor “um tanto que afeminado” com um som altíssimo, pulando e sorrindo como se tudo fosse um mar de rosas, mesmo que naquele momento ele esteja “p.” da vida. Pois a academia ao qual ele trabalha apenas lhe paga 500 reais por mês para destruir seu corpo, ministrando mais aulas do que o mesmo possa agüentar. Ou seja, ele não possui tempo para pensar no poder da mente. Ele apenas deseja dançar, pular e gritar, e então, ir embora. Para, então, fornecer o repouso que deveria ser fornecido antes, no período da manhã.
Retornando ao tema da coluna. Assisti a uma aula com o professor Marcello Árias Dias Danucalov. Excelente professor por sinal. Doutorando (com letra D maiúscula). O assunto era Psiconeuroimunoendócrino, resumindo: a mente, os poderes dela. Nessa aula ele forneceu um artigo da revista Nature (revista ao qual você tem que ser convidado a publicar algo, sendo necessário também um Prêmio Nobel) onde o cientista Richard J. Davidson e colaboradores realizaram uma experiência com três monges budistas de Dalai Lama, ao qual eles foram submetidos a vários testes e procedimentos, onde pôde ser observado que eles, durante a meditação, são capazes de alterar uma das medidas de nosso corpo mais estáveis: a temperatura corporal. Nosso corpo sempre luta para mantê-la próxima aos 37 graus Celsius. Mas eles foram capazes de aumentá-la até aproximadamente 43 graus Celsius e diminuí-la em até aproximadamente 29/30 graus Celsius.
Cientificamente comprovado: nosso cérebro pode realizar muitas façanhas. Para isso, ele tem que ser exercitado, fortalecido, ou seja, nós temos que treiná-lo a aceitar somente pensamentos positivos. Devemos nos re-educar a olhar tudo de uma forma mais otimista, termos mais paciência, nos preocuparmos menos (ou se possível, não nos preocuparmos). Para que, como disse o Doutor Danucalov, nos estressarmos em uma fila de banco, se sabemos com antecedência que iremos enfrentá-la? Não seria melhor levarmos um livro para lermos e, então, não nos queixarmos novamente de que não possuímos tempo para ler?






Se utilizássemos todo o tempo que gastamos com reclamações, para procurarmos idéias para melhorarmos algo de que não gostamos, poderíamos resolver em poucas semanas muitos, ou até todos, os pequenos problemas que nos deixam nervosos e, ao se somarem, são capazes de nos deixar doentes. O câncer aparece assim. Os problemas de coração também. Todas as doenças que você adquire são porque em dado momento você estava ou estressado demais, ou deprimido.
Nós apenas possuímos fatores genéticos que podem ou não nos transmitir algumas doenças. Porém, esses fatores apenas agirão com a liberação excessiva de cortisol e outros hormônios que destruirão nossos mecanismos de defesa (leucócitos – glóbulos brancos), matando as células, por exemplo, dos rins, e, suponhamos que você possua genes propícios a ter câncer nos rins, assim, as chances serão aumentadas drasticamente para que você adquira esse câncer.
Está comprovado cientificamente que devemos, todos, modificar nossos hábitos. Esquecermos do mundo ao nosso redor. Não assistirmos mais aos tele-jornais, que só noticiam notícias que liberam hormônios que não necessitamos durante o almoço ou janta. Não devemos mais andar com pessoas negativas ou que se queixam em demasia. Liberam hormônios demais também. Se possível, devemos arrumar 10 minutinhos do dia para meditarmos (tema que irei abordar no blog de modo mais científico após a leitura de alguns artigos).
São pequenas dicas para, aos poucos, aprendermos que, como diz o psicólogo José Ângelo Gaiarsa, na introdução de seu livro “Imagem e Individualidade”: “Concluí então que a sociedade era complexa demais para que alguém pudesse compreendê-la em sua amplitude, ou modificá-la eficaz e intencionalmente com programas políticos, leis e regulamentos”.
Assistindo a um documentário na National Gerographic Channel, sobre o budismo, percebi que o nosso mundo ocidental possui uma ignorância. Não que eles (budistas) sejam perfeitos (ninguém é!). Porém essa “ignorância” deve-se ao fato de, durante anos de nossas vidas sermos treinados para aprender. Aprender a ler, escrever, falar, caminhar, correr, etc. Depois, dedicamos anos para aperfeiçoar essa aprendizagem. Desenvolvemos um melhor raciocínio para algumas matérias, realizamos certos treinamentos para aperfeiçoar algumas capacidades motoras que desejamos melhorar, e assim por diante. Porém, o domínio da mente nós não desenvolvemos. Quero dizer, a capacidade de termos controle sobre o que pensar (sentir – pois quando você pensa em algo, momentaneamente expressa um sentimento) e quando pensar.
Isso meus amigos, chama-se LIBERDADE. Essa liberdade é a qual os monges e pessoas mais sábias (não em conhecimento teórico e científico, mas em “vida” – mais sábias em auto-conhecimento, conhecimento do que há de mais valioso nesse mundo: seu corpo, você mesmo!) procuram durante décadas para encontrar. E quando a encontram, transmitem o que é de mais valioso para um Professor, Mestre, Doutor transmitir: a compaixão, a tranqüilidade, o amor – e os caminhos para você encontrá-las . A verdadeira sabedoria!
Então, devemos fazer parte e perceber o que está acontecendo, porém não nos lançarmos em uma batalha solitária para mudar. Isso causará liberação exagerada de hormônio em vão. Se for para lutar, devemos contar com apoio, com um exército. Enquanto esse exército não bata continência para você, aprenda a surfar, aprenda a se divertir, mesmo que muitos estejam trabalhando para poucos, talvez até você esteja, mas o melhor que possa fazer é não se abalar mentalmente.




Qualquer dúvida ou sugestão: comente o blog ou envie um e-mail para rdallsantos@hotmail.com. Obrigado!



Rodrigo Dall'Aqua