quinta-feira, 24 de junho de 2010

Preparação Física para Lutadores de MMA - parte II_Treino específico para aquisição de Potência

Amigos leitores, a sessão de treino teve por objetivo o trabalho de força rápida.

Para isso, foram utilizados dois meios: Arremesso em pé 1 (primeira fase do arremesso, sendo o mesmo caracterizado por apenas leve flexão dos joelhos após a puxada) com aproximadamente 90% de 1 repetição máxima do Arremesso 1 (primeira fase do arremesso utilizando o agachamento para diminuir a altura de elevação da barra) + chutes laterais.

Utilizamos também, como ferramenta de treino, músicas de Bach, Verdi, Dvorak e Tchaikovsky, para auxiliar na concentração do atleta. Método que vêm se mostrando de extrema eficácia para a assimilação de técnicas de levantamento de peso.

Primeiramente, utilizamos o agachamento frontal como ferramenta de aquecimento com carga em torno de 70 % de 1RM para aproximadamente 2 repetições - poucas séries. Após fomos para o aquecimento com a barra, realizando movimentos do levantamento de peso.

A sessão de treino caracterizou-se por ser relativamente curta (em torno de 45 minutos) com alta mobilização energética e longa pausa.

Foram 6 séries ao todo, com, em média 2 estímulos de Arremesso em Pé 1 e 10 a 20 segundos de estímulos de chutes laterais (dividos em perna direita e esquerda) que resultavam em 9 a 24 chutes laterais ao todo.

As micro-pausas de 5 a 10" ocorriam após o Arremesso em Pé 1 e na troca de pernas.

A macro-pausa, após o circuito, durou em torno de 3 a 5 minutos.

Observamos que a técnica do atleta no levantamento de peso melhorou muito, embora ele tenha cometido alguns erros, como postura de saída, na puxada e no giro de cotovelos ao fixar a barra nos ombros.

Obrigado,

Rodrigo Dall'Aqua

terça-feira, 22 de junho de 2010

Preparação Física para Lutadores de MMA - parte I

Caros amigos leitores, hoje postarei sobre uma nova experiência que venho vivenciando ultimamente, a de treinar lutadores de MMA, especificamente o lutador Anderson Taquari e o Fábio Silva.
Juntamente com os amigos e colegas de trabalho Rafael Squassoni e Ângelo Schizzi, estamos realizando um trabalho de preparação física para auxiliá-los na aquisição de força-rápida para as lutas.
Postarei 3 vídeos do atleta Taquari (60 kg) treinando Levantamento de Peso.

Nessa parte, enfatizamos muito a aprendizagem da técnica: detalhes como proximidade da barra, puxada, giro de cotovelos são essenciais para o atleta relembrar sempre.

Utilizando as técnicas do LPO, o atleta Taquari levanta a barra com 70 kg, aproximadamente 80% de seu arremesso, no exercício denominado de arremesso em pé 1 (apenas a 1ª fase do arremesso, sem levantar a barra acima da cabeça). Trabalho que utilizamos para aquisição da técnica.

Aqui já estamos em outra sessão, realizando um circuito de aprox. 3' de exercícios (arremesso em pé1 - 60kg na barra, arranque com halter - 24 kg, giro de anilha - 10kg) por 1' de intervalo - eventualmente utilizamos chutes laterais ao fim, mas como o atletas estava fadigado, resolvemos interromper a sessão.

Considerações finais

Sobre as capacidade motoras desenvolvidas durante o levantamento de peso, Stone et al. (2006) consideram óbvio que eles adquirem uma grande força e potência, e citam diversos exemplos de levantadores de peso de elite que são capazes de levantar, sobre a cabeça, cargas três vezes maiores do que seu peso corporal durante o arremesso, sendo que mais de 20 mulheres já levantaram o dobro de seu peso corporal nesse mesmo exercício de competição.

Já em relação à qual capacidade é mais desenvolvida: força máxima ou potência, Charniga Jr. (2001) reporta que um levantador de peso não possui tempo para impor toda sua força máxima para o arranque, pois o tempo real que ele possui para produzir tal força é inferior a 1 segundo. Neste sentido, Garhammer (1993) afirma que pesquisas têm mostrado que o levantamento de peso envolve uma alta produção de potência. Um exemplo dessas pesquisas é o estudo de Fry et al. (2003), onde os autores mostram que levantadores básicos de elite ("powerlifters") são capazes de produzir maiores potências do que indivíduos não treinados. Essas maior capacidade de produzir potência pode, de acordo com os autores, não ser tão grande quanto à observada nos levantadores de peso.

Assim, baseando-se no estudo de Fry et al. (2003), as características musculares que mais contribuem para uma performance de sucesso no levantamento de peso básico aparentam ser: (a) maiores porcentagens de fibras do tipo IIa, porcentagem da área dessas fibras e porcentagem de MHC¹ IIa e (b) uma menor porcentagem de fibras do tipo IIb e porcentagem da área da mesma., características que, de acordo com Fry et al.(2003b), são similares às apresentadas por levantadores de peso.

Levando em consideração o alto volume total de treino de um lutador de alto rendimento de MMA - o que caracteriza um trabalho dos componentes que envolvem a resistência muscular e cardiorespiratória, pois mesmo que na sessão de treino não seja prioridade o desenvolvimento da resistência, mas sim da técnica ou da potência do golpe, ao longo do microciclo (diversas sessões ao dia), ele estará desenvolvendo a resistência. Assim, há a necessidade de que a sessão de treinamento com pesos objetivando a aquisição de potência muscular seja realizada logo no início do dia. E mais, que o treinamento com pesos seja direcionado ao trabalho das fibras IIa e IIb (ou IIx), ou seja, um trabalho específico de recrutamento de Unidades Motoras - pouco trabalhado nas sessões de treino do lutador: treino de Levantamento de Peso!

Futuramente acrescentaremos treinos do atleta Fábio Silva.

Abraços.

Rodrigo Dall'Aqua

Empresas Gaúchas LTDA



Hoje, após um longo período de "inadimplência blogal", retorno às atividades com um tema que está me deixando à beira de um distúrbio neurótico: o "apoio" (ou falta de...) que as empresas de nosso Estado ("meu Rio Grande do Sul, céu, sol, sul...") fornecem ao Esporte (em relação ao Esporte, retira-se tudo o que for vinculado ao futebol e às modalidades já estabelecidas em nosso país, como vôlei, e também as modalidades de classe econômica mais favoráveis, como iatismo e hipismo).




É impressionante o quão tradicionalista o gaúcho há de ser em palavras e quão deixa de ser em suas atitudes.




Em se tratando de esportes, pior. As empresas gaúchas e seus respectivos diretores são meros cantores de música tradicionalista ao "apoiarem" (deixarem de...) os esportistas de nosso Estado. Fazem propagandas de "amor" e de "orgulho", de orgulho do modo de ser do gaúcho, de orgulho de suas raízes, mas quando é hora de agir, de formar gaúchos saudáveis, respeitosos e com ambições de vitórias... aí é tarefa para o GOVERNO. Pobre da Yeda e de quem quer que seja. Com os funcionários públicos que temos.... não todos, mas a maioria é um bando de políticos inescrupulosos. Principalmente os que trabalham em "prol" do esporte.




Mas faz parte da cultura de nosso Estado. Falar de mais. Agir de menos. Talvez isso não venha das raízes da cultura, e fora apenas inserido pela cultura brasileira. Mas o fato é que empresas fortes, de origem gaudéria, são as que mais "enrolam" os órgãos esportivos que buscam apoio, não dizendo "não" no momento, mas sempre protelando essa negativa resposta, dando esperanças para os inexperientes do marketing, mas trabalhadores do esporte.




Tudo isso faz com que eu perca o "orgulho" de ter nascido nesse Estado. Estado que ultimamente tem se mostrado mais brasileiro do que gaúcho. Mais brasileiro ao fato de as emissoras daqui só comentarem futebol. Prestigiarem ídolos que não fazem questão nenhuma de reconhecer suas origens - veja o Ronaldinho "Gaúcho" - Gaúcho só no nome, saiu do Grêmio de modo cínico e traidor.




Mas o que me mantêm as esperanças é que ainda existem pessoas de fora que amam esse Estado mais do que muitos daqui.




quinta-feira, 3 de setembro de 2009

EDUCADORES FÍSICOS LTDA

Após um longo período sem tempo e, principalmente, sem inspirações para escrever, pois como diria Juca de Oliveira: “Estamos, nós, pessoas honestas e íntegras, tão indignados com a situação do mundo moderno, que chegamos a nos acostumar com essa indignação!”, por conseguinte, a comodidade leva à falta de raciocínio, que por sua vez, impede o aparecimento de novas idéias.

Então, ao sair desse estado de indignação total, para uma parcial, aproveitarei o fato de que nessa semana comemorou-se o Dia do Professor de Educação Física para fazer um comentário sobre.

Maldita profissão. Maldito idealismo profissional: “Esporte é Saúde!”.


Não há nexos. Esporte é saúde. Saúde é representada “legalmente” pelo Ministério da Saúde. Mas esse Ministério deveria se chamar de Ministério da Doença, pois cuida dos portadores de Patologias e não chega a lhes promover “saúde” na verdadeira origem da palavra.

Saúde significa um estado homeodinâmico onde todos os aspectos (emocionais, fisiológicos, metabólicos e morfológicos) estejam em estado de equilíbrio. Alguns autores definem como um estado de homeostase, mas no nosso organismo, nada permanece por muito tempo “estático”, nem durante a morte.

Por isso, ao observarmos como são tratados os doentes em nosso país, observamos que o principal objetivo dos médicos é o tratamento momentâneo da doença, mas não há um acompanhamento posterior ao tratamento inicial, ou seja, são poucos os casos onde observamos uma preocupação em realmente curar o paciente, fazê-lo com que ele mude seus hábitos, fornecendo assim, uma grande possibilidade de CURA da doença. Médico não cura, trata. O que promove a cura é um somatório de fatores relacionados ao dia-a-dia do paciente. A cura pode ser resultado do tratamento ou não. Por isso existem as medicinas alternativas. E algumas, estão muito bem embasadas cientificamente.
Mas retornando ao tema em questão, o próprio Educador Físico cria também uma grande divergência quando debate sobre saúde. Alguns afirmam que esporte de alto rendimento não é saúde. Para eles, saúde é “enganar” seu aluno. Prescrever-lhe um treino de 30 minutos de caminhada na esteira por dia, após uma aula “body fitness” e mais 30 minutos de “musculação” com equipamentos “ultra-modernos”, são “cinesiologicamente” estudados para “facilitar” e ao mesmo tempo proporcionar maiores ganhos em menor tempo. Isso é saúde. Assim, podemos ver que “saúde” pode gerar muita “riqueza”.

BODY COMPANY
Mas como diria novamente o grande ator Juca de Oliveira: “faça o que fizer, faça porque você ama os outros, e não para os outros amarem você!”.

Assim, fazendo uma relação dessa brilhante frase que ele aprendeu em sua formação no teatro com a atualidade “fitness”, observamos que essas companhias (...) estão apenas querendo ser amadas, mas não amam seus clientes.



Belas e Falsas verdades.
O ferro ainda ressurgirá das cinzas para mostrar que rendimento e resultados (a nível profissional ou não) são tudo sinônimos de SAÚDE! Saúde também é sinônimo de conhecimento, e sejamos sinceros, esses “fitness” como algumas "academias", são formados de pessoas com tanto conhecimento científico quanto os “ferreiros” de décadas passadas. São tudo um bando de “empiricistas” que possuem a vantagem de se vestirem melhor e de ter um bom papo.


Infelizmente, em nosso Brasil amado, não possuímos muitas pessoas que vêem o treinamento com pesos de uma maneira adequada. Não aplicam os conceitos do treinamento desportivo no “ferro”. Existe periodização para a “musculação” sim. E ela é muito mais complexa do que apenas alterar o treino de 3 x 10 para 3 x 15 ou 4 x 8. Mais complexa do que “periodização ondulada” ou do que simplesmente analisar o treinamento com uma visão fisiológica ou biomecânica do esporte.

Em suma, o que posso concluir da minha querida profissão, é que estamos nos tornando em uma empresa ambulante. Estamos vendendo uma imagem falsa, mas que todos desejam: saúde/rendimento sem esforço!

Não consigo imaginar como é possível não fazer força e ter rendimento. Como não planejar e conseguir manter uma aquisição de resultados após um ano de treino (lembre-se que durante os primeiros 6 meses de treino, os resultados atingidos devem-se mais a uma resposta neural do que estrutural – coordenação).
Como disse Geraldo Vandré: “Ainda fazem da flor, seu mais forte refrão. E acreditam nas flores, vencendo o canhão...Nos quartéis lhes ensinam, uma antiga lição: De morrer pela pátria, E viver sem razão”.



Façamos do ferro nosso mais forte refrão, e que lutemos e vivamos pelos alunos/atletas a serem ensinados, e não por marcas ou modelos a serem seguidos. Que ponhamos em prática tudo aquilo que a ciência estuda (não a ciência falsa – outra que existe muito nas Universidades e Faculdades do Brasil e do mundo, ciência movida... ora, veja... que coincidência??!!... também pelo dinheiro) para aumentarmos o rendimento dele e não para acelerarmos o rodízio de alunos nas academias. Não sejamos hipócritas em dizer que 40 minutos de esteira é essencial para emagrecer, que você pode conseguir altos ganhos em 4 meses de treino, que se você fizer um pacote de 6 meses, ganhará 2 meses, e assim, em 8 meses você terá um “corpo novo”. Sejamos sinceros: “alimentação é o principal!”, depois: disciplina, paciência, planejamento e, pasmem colegas: TREINO! – fazer força. Ser um atleta. Ser atleta, mesmo que profissional, não é uma doença. Lógico que lesões irão aparecer, mas se fores bem orientado, não serão lesões eternas.

Obrigado!
Rodrigo Dall'Aqua
dallaqua@felprs.com.br

quinta-feira, 19 de março de 2009

LPO e Capacidades Cognitivas - Psicológico



A psicologia do esporte é um campo de conhecimento bastante recente que reúne pressupostos psicológicos e da motricidade. Devido à grande expansão e à divulgação dos esportes está ganhando espaço e buscando definir sua identidade.

Segundo Dantas (1995) e Becker Júnior (2000), devemos analisar o atleta não apenas pelo seu preparo físico, técnico e tático, mas principalmente como um indivíduo diferente dos demais, com seus próprios motivos e emoções, sujeito às exigências do meio e respondendo a elas de uma maneira única. Assim, surge a necessidade de se propiciar ao praticante uma perfeita preparação psicológica.

A função do preparo psicológico geral, de acordo com Oleshko (2008) é a formação da individualidade e das qualidades psíquicas e morais específicas, como o foco na atividade esportiva (no caso o levantamento de peso), disciplina, sentimento de responsabilidade em relação à execução dos planos da preparação e aos resultados das competições, laboriosidade (pessoa trabalhadora) e apuro (perfeição).



Weineck (2003) cita alguns métodos de treinamento psicológico para a melhoria do desempenho esportivo, dentre eles, destacamos: os métodos psicológicos para a melhoria da recuperação e aumento da capacidade de desempenho físico (Treinamento Autógeno – TA); os métodos psicológicos para a melhoria do processo de aprendizagem técnica (Treinamento Mental – TM); os métodos psicológicos para eliminar fatores desfavoráveis que influenciam o desempenho esportivo (Hipnose); e formas combinadas (associação de diversos métodos).

Charcot em seus experimentos com a hipnose. A hipnose foi utilizada também por Sigmund Freud, que participou como aluno das demonstrações de Charcot na França. A partir das conclusões retiradas com o uso da hipnose, Freud começou a elaborar o que mais tarde seria denominado de PSICANÁLISE!



Um exemplo do fator psicológico relacionado ao levantamento de peso ocorre quando Oleshko (2008, p.29), ao relatar as fases de movimento do levantamento de arranque, cita: “A primeira, ou seja, a interação do atleta com a barra até o momento de levantá-la da plataforma, inicia-se no momento em que o atleta começa a reunir forças para levantar a barra e termina quando ele inicia o movimento”. Observamos que o levantamento de peso não inicia no momento em que a barra é levantada, mas a partir do momento em que o atleta começa a imaginar e a visualizar mentalmente o movimento que será realizado, ou seja, começa a se concentrar em seu movimento, sendo que o sistema nervoso central (SNC) é o fator limite de rendimento para o exercício (Kayser, 2003). Essa capacidade de concentração, de acordo com Becker Júnior e Samulski (2002), pode ser permanentemente melhorada através de um cuidadoso programa técnico e tático de treinamento, existindo para isso, determinados exercícios corporais e mentais que auxiliam no processo de aumentar essa capacidade.


Charniga Jr. (2004) cita que um dos segredos para o sucesso do levantador de peso é a capacidade de manter o foco, ou seja, ser capaz de manter a concentração em momentos aos quais acontecem situações imprevisíveis como falha no sistema de som, ou uma tentativa com um peso considerado fácil se torna incompleta. Outra capacidade psicológica citada pelo autor é a força da mente, onde ele relata uma situação que ocorreu no campeonato europeu júnior de levantamento de peso em 2004, ao qual um atleta russo de 18 anos largou uma barra de 175 kg em seu pescoço durante o arranque. Após o atendimento, o atleta retornou a plataforma para realizar, com sucesso, três arremessos e terminar em segundo na categoria.



Porém, inúmeros fatores podem contribuir para uma diminuição nessa concentração, como cita Biddle (1983), onde ele destaca a ansiedade como um fator determinante para o desempenho dos levantadores de peso, sendo importante o treinador interpretar e agir da maneira correta para auxiliar o atleta a ter o controle sobre essa ansiedade, que é considerada normal em qualquer nível de competição.



No treinamento de levantamento de peso, a motivação vai sendo formada com a utilização do método competitivo e para regular o estado psicológico às vésperas do levantamento do peso em condições de treinamento ou competição, os treinadores aplicam os três tipos de discurso: orientadores (correção de movimento), estimulantes (aumenta o nível de excitabilidade dos músculos e de manifestação das qualidades físicas do atleta) e com carga de expressão positiva ou negativa (geralmente reflete a relação do treinador com determinada ação competitiva do atleta) (Oleshko, 2008).



Em um cenário no qual a medicina do esporte, os recursos tecnológicos, os avanços e pesquisas nos segmentos de nutrição, suplementação e capacitação física dos atletas atingiram um nível de desenvolvimento e disseminação tão elevados que o recurso extra para um aumento no desempenho para os competidores profissionais passa a remeter a questões emocionais, ou seja: a sua capacidade de gerenciar a ansiedade.



Este auto-controle emocional tem como principal objetivo canalizar o pulso energético para a obtenção de resultados e superação dos limites; evitando que ele se disperse ou congele as formas corporais e emocionais do atletas. Esta dispersão/paralisação pode ser percebida através da própria performance do competidor: a dificuldade de concentração; a lentidão em reagir; o desânimo e a dificuldade de criar alternativas estratégicas para virar o jogo; o surgimento de lesões são algumas conseqüências desta falta de auto-gerenciamento.



Matsumoto e Willingham (2009), ao analisarem cerca de cinco mil fotografias de atletas, sugeriram que as expressões faciais utilizadas para demonstrar emoções são inatas ao ser humano, e não aprendidas ao longo da vida como se acreditava. Nesse estudo, foram analisadas 4.800 fotografias de atletas de judô cegos e com visão normal tiradas em cerimônias de entrega de medalhas. Segundo os pesquisadores, tantos os atletas com deficiência visual como os de visão normal exibiam as mesmas expressões faciais quando conquistavam o primeiro lugar.


Expressões faciais bastante similares também foram observadas entre os que perderam as competições. Essa pesquisa conclui que os vencedores mostravam freqüentemente uma alegria natural com a vitória. Já os que ficaram em segundo lugar curvavam o lábio inferior para cima ou produziam um “sorriso social”, que envolve apenas um movimento da boca indicando mais superficialidade do que espontaneidade. Isto sugere que algo genético é a fonte das expressões faciais de emoção (Matsumoto e Willingham, 2009). Sendo que a correlação entre as expressões faciais dos indivíduos de visão perfeita e as dos deficientes foi quase perfeita.

Por fim, Matsumoto e Willingham (2009), o “sorriso social” ou a curvatura dos lábios para demonstrar emoções negativas pode ter sido um mecanismo desenvolvido pelos humanos ao logo da evolução para evitar gritos, ataques corporais ou ofensas.

http://www.apa.org/journals/releases/psp9611.pdf

Portanto o fator psicológico é decisivo e ocupa o topo da pirâmide de treinamento. Corresponde à lapidação do atleta que deseja melhorar seu rendimento. Uma idéia negativa fora de hora determina a perda da concentração. Assim, o treinamento mental envolve a motivação, o pensamento positivo, a autoconfiança, o autocontrole, o elevado estado de concentração e a agressividade.


Para mais informações ou sugestões, postem um comentário no blog ou enviem um e-mail para rdallsantos@hotmail.com.
Obrigado!
Rodrigo Dall'Aqua

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Brasil Imperial

Voltando a postar no blog, e celebrando ainda a passagem de ano, venho primeiramente desejar a todos os leitores do blog um “Feliz 2009, e que venham muitos pesos para levantarmos!”. Antes de tudo, gostaria de comunicar que um leitor, mês passado enviou-me uma pergunta sobre os tipos de energia que nosso corpo possui e os modos de gastá-la, mas no dia em que abri minha caixa postal, não li a pergunta toda, mas ao reabri-la no dia seguinte o e-mail já não estava lá. Por isso, ao leitor que me enviou a pergunta, se puderes enviar-me novamente, agradecerei.



Agora comentarei sobre um grande problema em nossa sociedade. O Brasil, como todos sabem, foi colonizado pelos portugueses. Estes, vindo do continente Europeu, mas de cultura diferente da dos germanos, italianos, noruegueses, russos. Povo parecido com o espanhol. Povo sem a cultura da força. Povo sem a cultura da “Guerra”.




Há quem diga que a guarda pessoal do Imperador na época de conquistas na Roma Antiga era composta pelos germanos. Chegavam a ser mais treinados na Arte da Guerra do que os famosos e temidos pretorianos. Os povos bárbaros eram extremamente fortes. e esta designação abrangia tanto os germânicos quanto os hunos, de origem oriental, como os godos, e celtas, e também os gauleses.


Voltando ao Brasil, fomos colonizados por um povo de saqueadores, que não se preocuparam no desenvolvimento da “Nova Terra”. Povo que se desenvolveu graças aos escravos. Os romanos também. Mas os romanos iam para a guerra. Faziam força. Já os portugueses, sentavam em frente a casa, e observavam os escravos realizarem todas as tarefas do dia. Assim, símbolo de fartura e riqueza, ao invés da força e experiência em guerra, passou a ser o volume da barriga. Se o senhor de engenho fosse barrigudo e folgado: - esse é rico porque tem tudo do bom e do melhor sem fazer “esforço”! Se fosse um senhor de engenho magro ou forte: - esse é pobre, pois tem que pôr a “mão na massa!”.



Essa visão foi passada de geração para geração.




Hoje ainda observamos fortes resquícios disso. O Brasil está virado em um país de gordos e fracos. O homem brasileiro está se tornando mais fraco do que a mulher. Considera-se “forte” no Brasil um ator de novela com o abdominal marcado de tanto winstrol, clembuterol e GH ou um “fisiculturista” que põe míseros 100 kg no supino ou não agacha com mais de 100 kg. Não é forte, não nos padrões brasileiros, um homem como o Sr. Valantin Dicul, não visualmente.









Observamos nas escolas que o menino não está desenvolvendo sua força porque fica grande parte do tempo jogando videogame ou no computador. Já a menina, brinca de pular corda, corre, brinca de boneca, faz tudo que precisa para desenvolver sua musculatura. Ainda não entrou na cultura das meninas a atividade de horas e horas jogando um jogo de futebol no videogame. Quando praticam esportes, as gurias jogam vôlei, basquete, caçador, e outros esportes como futebol, esse, o único esporte praticado pelos guris.




Temos que modificar essa cultura. Não é concebível - não nos tempos atuais – acreditar que quem é sedentário e desleixado com seu único instrumento, é esperto, é rico, inteligente. Enquanto aquele que usa e desenvolve seu instrumento, fazendo força, trabalhando, é um estúpido, ignorante, pobre. Hoje sabemos que, se desejarmos enriquecer de modo lícito, teremos que suar muito. Bill Gates não construiu seu império de um dia para o outro. Há poucos modos de ganhar dinheiro sem trabalhar: loteria, programas bestas como o Big Brother, vender seu corpo e assumir um cargo político. Estacionamento também está gerando muito lucro.







Assim, observamos cada vez mais políticos fracos e gordos, pessoas superficiais na telinha – que preferem plástica/maquilagem a treino/dieta. Mas ao procurarmos na história, observaremos que quem segue essa mentalidade vive em países colonizados pelos portugueses, espanhóis ou até pelos ingleses. Nos países com a cultura da guerra, do trabalho, como Rússia, Alemanha, China, Israel, etc., observamos que o forte também é considerado um sábio. Porque eles sabem que a “força bruta” também é uma espécie de sabedoria. Quem pensa que não, é porque nunca treinou para levantar 100 kg sobre a cabeça em um movimento chamado de arremesso.





Os orientais pregam isso há mais de séculos. A mente também é desenvolvida com o trabalho físico. Só nós fomos criados com a mentalidade de que se você praticar esportes demais, irá ser um ignorante. Apesar de que esse fato, no Brasil, é verídico. Observem os níveis de inteligência dos jogadores de futebol mais habilidosos. São muito inteligentes para o que fazem. Para o resto, sem comentários. Mas isso também se deve à nossa fraca educação escolar. Poucos colégios ensinam cultura. Preocupam-se mais em ensinar matérias superficiais que irão cair no vestibular. Consideram mais importante do que a História de heróis do passado e do presente. Não aprendemos sobre a história de Mandela, dos Pracinhas que representaram o Brasil na II Guerra Mundial. Isso não é matéria de vestibular!




Pretendo, com esse texto, mudar um pouco o conceito/imagem que a população que não pratica treinamento com pesos possui sobre o levantador de peso, sobre o atleta de força. Claro que, devido a tudo que foi citado anteriormente, no Brasil existem muitos “atletas de espelho” que degredem a imagem dos verdadeiros atletas, ou usando uma quantidade absurda de esteróides – alguns injetam até óleo no braço para deixá-lo maior! – ou arrumando brigas com “todo mundo” – “todo mundo” que é menor e mais fraco do que ele, porque quando o adversário possui uma “carcaça” eles desistem - para aparecer ou se mostrar para alguém.



Dúvidas ou informações, postem comentários ou enviem um e-mail para rdallsantos@hotmail.com.



Obrigado!

Rodrigo Dall'Aqua

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Treinamento com pesos e o cérebro humano


O mundo, assim como nós, está em constante mudança. Fazer predições sobre o que acontecerá com você ao realizar alguma tarefa (e corrigir essas predições baseando-se no que está atualmente acontecendo) é assim, de importância vital. Uma teoria bem influente defende que o cérebro resolve esse desafio através do uso dos seguintes modelos: quando você segura um objeto, a antecipada aplicação da força sensorial de sua ação é comparada a real que você aplica. Se há um erro, ou seja, se você pensou que o objeto fosse mais pesado, um sinal de correção é mandado de volta para o córtex motor para rapidamente adaptar o comando à nova carga (carga real).
Apesar disso, existem diversas evidências psico-físicas para os seguintes modelos (para revisão, veja Wolpert e Ghahramani, 2000), e o conceito pode ser ampliado para se explicar até mais algumas formas de comportamento psiquiátrico (Frith et al., 2000), mas a arquitetura neural responsável para essas computações ainda não está completamente compreendida. Jenmalm et al. (2006) vêm contribuindo significativamente para esse tema usando ressonância magnética funcional por imagem em um estudo recentemente publicado no “Journal of Neuroscience”.

Nesse estudo, os autores instruíram os participantes a levantar um objeto com sua mão direita e utilizando as pontas de seus dedos e polegares. Em algumas sessões, o peso do objeto mudou de modo imprevisível: um objeto pesado se tornava mais leve e um objeto leve ficava mais pesado.
Estas alterações foram efetuadas através da adição ou remoção de um peso extra, fora dos “scanners”, que estavam ligados ao objeto que tinha que ser levantado. Durante o experimento, os sinais de força e de posição, bem como a aquisição de todos os tempos foram registradas simultaneamente.

Este sofisticado protocolo de experimento permitiu aos autores comparar o desempenho comportamental e atividade cerebral relacionado com o resultado da imagem feita pela ressonância magnética durante as tentativas de levantamento em que a carga fora modificada e quando o peso não foi alterado.

De um ponto de vista teórico, quando o peso muda inesperadamente, o predito “feedback” sensorial e os reais “feedback” sensoriais não correspondem. Portanto, o módulo comparando os preditos “feedback” sensorial e real vai gerar um sinal de erro.


As mudanças de peso levam a um aumento da atividade no córtex parietal inferior direito (Jenmalm et al., 2006). Um estudo anterior mostra que a ruptura da região parietal posterior do córtex por meio de estimulação magnética trans-craniana interfere com a capacidade de corrigir rapidamente um movimento na base de novas informações sensoriais (Desmurget et al., 1999).

Houve, também, diferenças na atividade cerebral que eram específicas para a questão da modificação da carga. O sensório principal do córtex motor esquerdo tornou-se mais ativo quando o peso foi aumentado, e menos ativo quando o peso foi diminuído (Jenmalm et al., 2006). O cerebelo direito tinha um papel oposto inibitório: ele tornou-se mais ativo quando o peso foi diminuído e menos ativo quando o peso foi aumentado (Jenmalm et al., 2006). Estas atividades provavelmente refletem a real força de correções da mão direita que tinham que ser realizadas e suas conseqüências sensoriais.

Isto é consistente com os papéis excitatórios e inibitórios dos sensores primários do córtex e cerebelo, respectivamente, no controle de movimentos.



Ou seja, em qualquer situação do treino, a coordenação sensorial (adaptação neural) sempre é trabalhada. Porém, muitos treinadores esquecem esse componente do treinamento. Lembram apenas das valências físicas e do sistema metabólico. As variáveis do treinamento para eles consistem em: força, velocidade, resistência e suas subdivisões; e aeróbio, anaeróbio lático e anaeróbio alático.

Mas ao observarmos que, para uma situação (aumento da carga) como para outra inversa (diminuição da carga), há uma adaptação neural que, por sua vez, leva a uma adaptação metabólica e morfológica.

O treinamento, seja qual for, nada mais é do que estímulos que levam a adaptações neurais, metabólicas e morfológicas. Por isso, a técnica dos exercícios deve ser muito bem trabalhada.



Não observamos, nas ditas “academias”, um trabalho de técnica dos exercícios. Você pode até argumentar que um exercício de supino ou uma rosca direta são exercícios de aprendizagem moderada a fácil e, por isso, não é necessário esse tipo de trabalho por um longo tempo. Mas pense bem. Um atleta campeão olímpico de levantamento de peso, mesmo nos quatro anos posteriores a sua conquista da medalha de ouro, treina técnica em torno de 20 a 40% do volume total de treino (Roman, 1986). Será que nós, meros mortais, não devemos também treinar dando ênfase na coordenação intra e intermuscular? Não devemos direcionar nosso treinamento, em certos momentos do ano, para uma adaptação neural?

Infelizmente, para 90% dos praticantes de treinamento com pesos no Brasil preocupam-se apenas em trabalhar, principalmente, a parte estética. O mais importante, o rendimento, fica em segundo ou em terceiro plano.

Na tentativa de mudar esse conceito, postarei futuramente alguns artigos sobre dismorfia muscular (anorexia e vigorexia), distúrbios psicológicos em relação à composição corporal (estética).

Qualquer dúvida ou sugestão, postem comentários ou enviem por e-mail para rdallsantos@hotmail.com.
Obrigado!
Rodrigo Dall’Aqua

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Levantamento de Peso – Por que devo praticar?

Nesse artigo, deixarei de lado minha revolta e escreverei sobre os motivos principais que recomendo a todos (jovens ou idosos; sedentários ou atletas; homens ou mulheres) a pratica de levantamento de peso. Antes de tudo, gostaria de explicar que a postagem anterior foi apenas um modo de chamar a atenção para o que está acontecendo em nossa sociedade, onde poucos possuem conhecimento e muitos opinam possuindo apenas informação – volte algumas postagens e veja o qual é a diferença entre informação e conhecimento.

Não sou - e nunca serei - contra a atividade aeróbia. Admito que não sou especialista e nem sou o mais capacitado para ministrar um treinamento de maratona, mas sei que, se um dia comprar uma esteira para o Ginásio Verkos, nela será possível um indivíduo de mais de 100 kg de massa corporal correr acima de 18 km/h. O que pretendo dizer é, que assim como qualquer outra aparelhagem que o Ginásio Verkos possua, sua futura esteira deverá ser forte e pesada!

Voltando ao artigo, agora escreverei sobre a minha especialidade: o treinamento com pesos: em especial, o levantamento de peso. Objetivo, através desse artigo, apontar e explicar as necessidades e benefícios de uma pratica regular de levantamento de peso.

Muitas pessoas, hoje, sucumbem em doenças chamadas de “doenças modernas”, como a obesidade, a hipertensão, diabetes, doenças do coração e “stress” psicológico. Essas doenças resultam, em parte, da diminuição de nossa capacidade metabólica em assimilar todas as calorias que consumimos ao longo do dia. Essa alteração no metabolismo está diretamente ligada a um declínio das atividades de muitos complexos enzimáticos, da atividade (expressão) genética, e de hormônios que regulam cada reação bioquímica em nossas células.

O último efeito do estilo de vida urbanizado é a perda da massa muscular, diminuição da força, e função inapropriada de muitos órgãos vitais. Em outras palavras, a urbanização tornou-se sinônimo de estagnação ou perda da saúde. O levantamento de peso oferece um estímulo natural para recuperar as funções e condições de nossas células, pele, órgãos e sistemas.

O treinamento de força, através do levantamento de peso, está se tornando uma prática mais confortável e fácil de ser realizada. O custo de um ingresso para uma partida de futebol, ou para um show ou uma festa, custa o suficiente para se adquirir um mês inteiro em um ginásio de treinamento com pesos. Assim, ao invés de ser posto em segundo plano – como um mero espectador – você estará realizando as atividades e exercícios, sendo possível, após a aquisição de uma condição física, a realização dos mesmos movimentos e atividades que atletas profissionais realizam, provavelmente não com a mesma eficácia e técnica.

Porém, há todo um mito em relação ao treinamento com pesos. Organizarei em forma de pergunta e respostas a fim de proporcionar ao leitor uma maior facilidade para encontrar sua dúvida.



1. O que é o levantamento de peso?
A essência do esporte de levantamento de peso é que a força muscular pode ser desenvolvida em paralelo com a flexibilidade das articulações, com a coordenação e equilíbrio de todo o corpo, com a resistência cardiovascular e pulmonar, enquanto se mantém a freqüência máxima de força em relação à massa corporal.
O levantamento de peso não é uma modalidade de força apenas. Muitos atletas fortes procuram levantamento de peso para aumentar a flexibilidade, sincronia da técnica e melhorar o balanço do corpo.
O levantamento de peso enfatiza os três maiores grupos musculares do corpo: coxas, costas e ombros. Por isso, suas modalidades (arranque e arremesso) são consideradas as que possuem maior gasto calórico no treinamento com pesos. Chegam a gastar quase 120 kcal em apenas 20 minutos de treino intenso (aproximadamente 6 a 8 séries com intervalos de 2 a 3 minutos).

Quem disse que Levantamento de peso não desenvolve flexibilidade?



2. É verdade que o treinamento com pesos (musculação) irá me deixar musculoso (a) como os (as) fisiculturistas ou lutadores?
Falso. Não é fácil conseguir um alto nível de massa muscular. Menos ainda como os fisiculturistas. Para isso, geralmente é necessário anos e anos de treino intenso e, também, o uso de recursos ergogênicos de origem farmacológica (Esteróides Androgênicos Anabólicos – EAA). Para as mulheres, então, esse recurso é obrigatório, já que elas possuem uma quantidade muito inferior aos homens de testosterona e hormônios masculinos em seu corpo.




Dificilmente a mulher conseguirá um corpo desses sem usar alguma substância ergogênica de origem farmacológica (EAA).





3. Treinamento com pesos (musculação) emagrece?
Não. Nem a corrida emagrece. O que emagrece é a alimentação. Se você consumir menos calorias do que gasta ao longo do dia, você emagrecerá. A atividade aeróbia gasta mais calorias. Mas a anaeróbia (treinamento resistido – treinamento com pesos – musculação) também gasta calorias. A contribuição dos exercícios físicos em geral para o processo de emagrecimento decorre do aumento no gasto calórico diário e do estimulo ao metabolismo, cujo nível de atividade tende à redução durante dietas hipocalóricas (baixa ingestão de calorias).
No caso dos exercícios resistidos, além desses efeitos, ocorre aumento da taxa metabólica basal devido ao aumento da massa muscular. Acredita-se que a tendência das pessoas engordarem com a idade seja em grande parte devido à redução da taxa metabólica basal decorrente da perda progressiva de massa muscular.
Numerosos estudos documentam redução do tecido adiposo estimulado pelos exercícios com pesos, nos mesmos níveis dos que ocorrem com exercícios aeróbios. Alguns trabalhos sugerem superioridade, em longo prazo, dos exercícios com pesos para o objetivo de redução da gordura corporal, em função do aumento da massa muscular.

"Você é o que você come!" - A alimentação é a base de tudo: tanto para quem deseja emagrecer quanto para quem deseja aumentar de tamanho.






4. Recomenda-se treinamento com pesos para mulheres?
Além de recomendado, deveria ser obrigatório! Pois a mulher já tem uma pequena taxa de testosterona no corpo, e com o passar dos anos, essa taxa tende a diminuir - sem falar na menopausa, onde há um completo desequilíbrio hormonal. Com isso, a força muscular diminui e, em conseqüência, aumenta a probabilidade do aparecimento de problemas ósseos (osteoporose), problemas posturais e até musculares.










5. "Nunca pratiquei nenhuma modalidade, posso praticar treinamento com pesos? E levantamento de peso?"
É permitido, sem problema algum. Logicamente, respeitando seus limites de carga e tempo de treino. Não precisa ficar treinando durante 1 ou 2 horas. Pode começar devagar. Cargas leves e treino curto. Com o passar do tempo, a técnica dos exercícios vai sendo aprimorada e as cargas irão aumentando naturalmente. Em relação ao levantamento de peso, é a mesma coisa. Primeiro aprende-se a técnica dos exercícios. Trabalha-se em cima dela tanto no arranque quanto no arremesso. Apenas após um bom tempo que começamos a treinar com carga. Como para qualquer coisa na vida, a paciência é um fator importante para se obter bons resultados com segurança.






Espero ter respondido a algumas dúvidas. Caso houver mais alguma, envie um comentário ou um e-mail para rdallsantos@hotmail.com.

Obrigado!
Rodrigo Dall’Aqua dos Santos

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Maldita máquina de movimentar corpos!

Após um longo período sem postar absolutamente nada, volto à ativa com uma “problemática” que vêm fazendo parte do meu cotidiano: o cotidiano do Ginásio Verkos, onde eu e meu sócio procuramos a “solucionática!” – como diria um famoso jogador de futebol, a quem não recordo seu nome.

Primeira pergunta que me vem à tona, ao receber um possível cliente que pergunta por esteira: por que %#$%@ motivo ele quer esteira para caminhar ou correr, se bem a sua frente encontra-se um dos melhores parques de Porto Alegre – o Parque Farroupilha (ou Redenção)?

É tão forte e distorcida a imagem que vendem sobre a atividade aeróbia, que é comum ver pessoas acreditando que, apenas com a esteira, são capazes de conseguir um corpo tão esbelto e saudável quanto à da moça na foto.
Claro, sabendo que há uma probabilidade enorme de que eu não o convença em - “apenas!” - treinar com pesos nem procuro gastar esforços ou energia (kcal) para tal. Ao fim do dia, analisando quantos desses possíveis clientes entraram para pedir informações e saíram frustrados com a “incompetência” da diretoria do Ginásio Verkos em abrir um “Centro de Levantamento de Pesos” e não pôr nem uma esteira sequer! – Absurdo! – como diria um grande profeta do século XX: “Isso é o fim da picada!” – defina o fim da picada...

Mas ao tentarmos buscar o porquê disso, observamos que a nossa cultura (cultura brasileira) em relação ao esporte não existe. São poucos que treinam e fazem do treinamento (seja qual for!) parte de sua vida. Menos ainda são os que entendem realmente de treino. Seja profissional da Educação Física ou não - há muitos profissionais que não sabem.

Mesmo assim, muitos chegam ao nosso estabelecimento com a maior autoridade exigindo uma máquina de caminhar, um aparelho para o abdômen visto na televisão (onde o praticante do mesmo, perde cerca de 10 kg por semana, e fica gigante e sarado ao mesmo tempo! – tudo isso em apenas um movimento “pantográfico”!), um voador, um cross-over para treinar igual o Jay Cutler... mesmo que possuamos umas das maiores concentrações de barras olímpicas da região sul do Brasil – provavelmente apenas a Sogipa seja capaz de nos superar. Mas, em contrapartida, possuímos mais quilos em anilhas olímpicas - se soubessem o que uma barra olímpica é capaz de fazer com seu corpo, talvez não nos questionassem...

Autoridade que falta para exigir dos políticos que cumpram suas promessas; é usada em demasia em empresários que recém estão abrindo um negócio. Mas parte disso deve-se ao fato de o pensamento “fitness” ter entrado na mente das pessoas de tal forma que, o treinamento com pesos – vulgo “musculação” começou a ser chamado de “apenas musculação!”. Como uma atividade tão complexa e distinta como essa pode ser vista como “apenas”? Essa é uma pergunta fácil de ser respondida. Isso se deve ao fato de, como ela ficou popular, tornou-se um mercado lucrativo. Mais ainda quando misturada com outras modalidades: ginástica aeróbica, treinamento aeróbio, lutas, yoga...fazendo com que o professor de ginástica também ensinasse a treinar com pesos e a lutar, mesmo que sua vocação e especialidade seja apenas a ginástica, o treinamento com pesos foi outro meio de aumentar seu lucro com aulas personalizadas.




Na verdade, a sensação de correr na esteira é só uma sensação mesmo, pois não corremos nada na esteira e sim o chão corre e só precisamos acompanhá-lo. Correr na esteira é uma ilusão de corrida, pois mesmo correndo a 14 rpm, na verdade estamos correndo muito menos do que parece.

Mais fácil ficou sua vida quando foram inventadas as máquinas, onde ele não se via mais obrigado a “perder” um longo tempo ensinando seu aluno a treinar. A máquina tem seu movimento... não precisa de professor capacitado para movimentá-la corretamente. Para justificar seu uso, inventaram que ela “isola” a musculatura, especificando mais o treino! – Mas até hoje, ainda não foi comprovada sua eficácia! Mesmo assim, chegará o dia em que a própria máquina se encarregará de treinar pelo atleta.

Exercícios como o arremesso foram completamente banidos nas "academias" do Brasil. A pergunta que fica é: Por que?

Os treinadores de todas as partes começaram a utilizar esse meio de treinamento, esquecendo por vez, das milagrosas barras olímpicas. Esquecidas e ao mesmo tempo amaldiçoadas. Inventaram que elas são maléficas. Que tais exercícios como o agachamento, o levantamento terra, o arranque, o arremesso, o “power clean”, etc. são todos prejudiciais à saúde. Sendo que, quem é mais nocivo à saúde é o próprio treinador e seu sistema mecanizado de treinamento – assistam ao filme “Tempos Modernos – Charles Chaplin” e vejam o que está acontecendo na grande maioria das “academias”, dos centros “fitness”.
Postarei em poucos dias, um artigo sobre esteiras e treinamento com pesos, vantagens e desvantagens, onde citarei os prós e contras de uma esteira; benefícios e malefícios do treinamento com pesos.

Para mais informações ou dúvidas sobre o Ginásio Verkos, comentem o artigo ou enviem um e-mail para rdallsantos@hotmail.com.

Obrigado!
Rodrigo Dall’Aqua

domingo, 31 de agosto de 2008

Levantamento de Peso: capacidades motoras gerais - resistência de força


Retornando às capacidades motoras do Levantamento de peso, comentarei sobre uma capacidade biomotora não tão determinante para o desempenho nessa modalidade, mas que com certeza é essencial, de um modo indireto, para o desempenho esportivo: a resistência de força, em especial a denominada “força de resistência hipertrófica” (Häkkinen, 2002)

Verkhoshanski (2001) define resistência como “uma capacidade de realizar o trabalho muscular sem perder sua efetividade e durante um tempo prolongado”, e cita as várias formas de resistência (resistência de força, de velocidade, a resistência estática, dinâmica, etc.).

Adaptações estruturais (Hipertrofia) ocorrem em um segundo momento (ou seja, após as neurais), como resultado da exposição continuada ao treinamento da força muscular. Essa hipertrofia pode ocorrer de maneira seletiva (em determinados tipos de unidade motora, de acordo com a ênfase do treinamento), e pode ser resultado do aumento da quantidade de proteína não-contrátil (sarcoplasmática) e/ou contrátil (Siff e Verkhoshansky, 1998).




Usualmente, diversos autores relatam métodos voltados para a hipertrofia muscular. Entretanto, como citam Ide e Lopes (2008), identifica-se certa incoerência quanto ao objetivo metodológico, pois a hipertrofia em si não se trata de uma capacidade biomotora, mas de uma adaptação morfológica caracterizada pelo aumento da área fisiológica em corte transversal (AFCT) do músculo. Devemos compreender que todos os programas de força resultam em um grau de hipertrofia muscular, porém, determinadas combinações dessas variáveis enfatizarão esses ganhos em um maior grau do que outras (Fleck, 2002). Devido a isso, alguns autores denominam muitas vezes o protocolo com ênfase a tal propósito de “força hipertrófica” ou “resistência de força hipertrófica” (Kraemer e Häkkinen, 2004).

Citarei nesse texto como força de resistência hipertrófica apenas para o leitor diferenciar com uma maior facilidade o treino de resistência de força (séries com um número alto de repetições – acima de 15 ou 20 repetições, ou seja, séries que proporcionarão uma maior resistência muscular) e o treino de resistência hipertrófica (séries com um menor número de repetições – entre 6 a 15, séries às quais gerarão maiores micro-traumas na fibra muscular).

Ao citarmos a resistência de força, podemos dizer que é a capacidade de manter grandes níveis de força durante o maior tempo possível. O nível da força resistente se traduz pela capacidade do atleta de vencer a fadiga, realizando um grande número de repetições de movimentos, ou por uma aplicação prolongada da força contra uma resistência externa (Platonov, 2004).





Em relação à hipertrofia esquelética, podemos defini-la como uma adaptação morfológica decorrente do aumento da área fisiológica em corte transversal do músculo (AFCT). Paul e Rosenthal (2002) afirmam que o conceito envolve um incremento tanto no número de núcleos, como no volume citoplasmático, o que conseqüentemente acaba incorporando parte da definição de hiperplasia muscular, cuja definição é dada como um aumento no número de células, decorrente da fusão entre as células satélites (Hawke, 2001; Ide e Lopes, 2008; Paul et al., 2002).

Assim, ao analisarmos o treinamento com o objetivo de aumentar a massa muscular, geralmente é usada a carga de intensidade moderada e mais repetições (Kraemer et al. 1996). Entretanto, em diversas fases do treinamento, cargas elevadas e poucas repetições podem realçar uma resposta da hipertrofia, caso a intensidade do treinamento for mais tarde reduzida com a inclusão de um descanso adequado (Fleck e Kraemer, 2006). Deschenes e Kraemer (2002) afirmam que as adaptações neurais podem permitir o uso de cargas intensas para um dado número de repetições, de tal modo que se aumente também o estímulo hipertrófico.


A hipertrofia pode ser sarcoplasmática (aumento no tamanho do sarcoplasma) ou miofibrilar (aumento no número de núcleos - chamada "hiperplasia")


Oleshko (2008) cita que os levantadores de peso desenvolvem a resistência de uma maneira especial para a modalidade, ou seja, através de um aumento gradual no número de repetições de cada série e, principalmente, com o aumento das séries de cada sessão, para que então, eles possam suportar um alto volume de treino. Porém, vale salientar que, de acordo com o autor, o alto desenvolvimento da resistência afeta negativamente o desenvolvimento da força, e vice-versa.

No próximo artigo, citarei exemplos práticos para se treinar cada uma dessas capacidades biomotoras: força máxima, força rápida e resistência de força. Através de protocolos de treino, o leitor será capaz de programar um treino para si, logicamente, com um auxílio de um profissional capacitado.
Para mais informações, comente o blog ou envie um e-mail para rdallsantos@hotmail.com.
Obrigado!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Resultados em Pequim!

Que grande final nos pesos pesados (acima de 105 kg)! De um lado, Evgeny Chigishev (pesando 124.13 kg), da Rússia. Do outro, o austríaco naturalizado alemão Matthias Steiner (145.93 kg). Na primeira prova (arranque) o russo conquistou uma boa vantagem: 210kg contra 203 de Steiner, obrigando o alemão à uma façanha histórica, realizar um arremesso de no mínimo 8 kg a mais do que o arremesso de Chigishev.

Chigishev realizou um bom arremesso (250kg). Poderia mais, mas deve ter acreditado que Steiner não seria capaz de fazer com 258 kg - lembrando que o recorde até hoje é do russo Leonid Taranenko, que em 1988 realizou um arremesso com 266 kg.

Então, mesmo com todos os problemas aos quais teve que enfrentar (perdera sua mulher em um acidente de carro ano passado), Matthias Steiner superou Chigishev, que tinha completado todas suas tentativas e estava com um somatório de 460 kg, conquistando assim, a medalha de ouro com 1 kg a mais do que o russo no somatório do arranque e do arremesso. Steiner pediu 10 kg a mais em sua segunda tentativa e conseguiu com sucesso superar outra dificuldade. Seu recorde pessoal antes dos Jogos Olímpicos de Pequim era de 250 kg.

Mesmo assim, essa marca fora inferior à das Olimpíadas de Atenas, onde o iraniano Hossein Rezazadeh realizou um arremesso com incríveis 263.5 kg.

O lituano Viktors Scerbatihs, que estava em segundo lugar, tentou o arremesso com 257kg em sua última tentativa. Ele chegou perto, mas falhou ao manter o peso sobre a cabeça e teve que se contentar com a medalha de bronze.


Vídeo de Matthias Steiner realizando o arremesso do Ouro (258kg)

Obrigado!

Rodrigo Dall'Aqua

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Pan de Pequim! Pan Pan Pan!



Procurarei ser breve nessa coluna. Não porque não tenho o que falar (comentar). Sim, para evitar polêmicas.

Vejamos o quadro de medalhas até o presente momento: http://pequim.espn.com.br/espn/site/olimpiadas/medalhas/. Observamos que nosso maravilhoso país se encontra abaixo de alguns países que quase desconhecemos como Cazaquistão, Quirguistão, Mongólia, atrás de um país que há 30 anos sofria fortes ataques norte-americanos, o Vietnã. Estamos colados (mas embaixo) da Armênia (mesmo número de medalhas, mas Armênia é com A – e até nisso, nós, brasileiros, temos azar!).

Onde estão todos os vitoriosos do Pan-Americano ano passado? Ou será que eles não eram tão bons assim? Tive até professor de pós falando que era só ajustar uns detalhes na parte técnica do Tiago Pereira para ser capaz de superar Phelps! Talvez tenha sido empolgação, pois o Tiago estava arrasando há 6 meses atrás. Mas, pergunto: arrasando quem e como?

Será que o Brasil pensou que, apenas sediar o Pan traria medalhas olímpicas? Ou esqueceram do principal: se preparar para a Competição Maior? Pois tenho certeza que o próprio Phelps tenha se preparado com muita antecedência para conquistar essas medalhas.

Preparar um atleta não significa só treiná-lo. Significa fornecer o essencial para que ele possa vencer. Enquanto o Brasil ainda acredita que o essencial seja fornecer moradia e alimentação (e mesmo assim, são poucos atletas que recebem tais benefícios em nosso país), países como Estados Unidos, China, Rússia e Itália evoluíram há muito tempo. Preparar para eles significa muito mais. Principalmente fornecer o doping ideal. Não acredito - mais uma vez digo! - que Phelps esteja “limpo” – ele é o auge do doping: o doping genético! Estamos presenciando uma nova fase de seres humanos (atletas): os atletas geneticamente modificados – sinto-me honrado por presenciar isso!



O que me revolta não é o doping de Phelps e Cia. Revolta-me comentaristas da rede globo citarem como exemplo de doping os nadadores da Alemanha Oriental na década de 70, dizendo que denegriram a imagem da natação naquele período. Se os atletas de antes denegriram a imagem, e os de hoje? Não vejo o doping como vilão do esporte – não quando todos (ou quase todos) o utilizam.
Concluirei essa breve coluna citando o que o extremamente caro Pan Americano do Rio 2007 deixou de herança para o Brasil:
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Obrigado!
Rodrigo Dall’Aqua

Infelizmente, nosso único representante no Levantamento de Peso não conseguiu realizar com sucesso o arremesso com 162 kg. Mas PARABÉNS para o atleta Welisson Silva, pois mesmo sem muito apoio e incentivo, conseguiu ser uns dos melhores arranques em sua categoria!

domingo, 3 de agosto de 2008

Variáveis infinitas do treinamento e do esporte




Antecedendo aos XXIX Jogos Olímpicos de Pequim, na China, sinto-me obrigado, a mais uma vez, comentar sobre o que considero ser o mais importante tema do Esporte: as incontáveis variáveis que fazem dele, ser uma das Ciências mais complexas da atualidade.

Não digo isso porque trabalho com o mesmo. Digo isso porque realmente é um fato. O esporte é estudado pela Medicina, Bioquímica, Química, Fisiologia, Mecânica, Biomecânica, Matemática... Ciências Naturais a Sociais, passando pelas Biológicas e indo até o campo da Metafísica e outras alucinações e ciências as quais são poucos os capazes de compreendê-las com exatidão (ou não!).

O esporte está se desenvolvendo de uma forma tão rápida e assustadora que, já não pode ser lidado como uma só grandeza, mas com um somatório deveras complexo de inúmeras variáveis atuando simultaneamente – muitas delas desconhecidas ou não computáveis.

Para citarmos uma variável, podemos dizer que o esporte está se desenvolvendo de acordo com o desenvolvimento da tecnologia – que por sua vez, está em uma velocidade de transformação absurda, mas tão absurda que hoje, como diz Gaiarsa, podemos ter a audácia de nos compararmos a “Deus” em certos aspectos, como estarmos presentes em “todos” os lugares o tempo “todo” (onipresentes) e também saber e ver “tudo” o que acontece no “Universo” (oniscientes).

Se não fosse a evolução da tecnologia, não seríamos capazes de percorrer 100 metros abaixo dos 10s, talvez perto dos 9,90s, mas não mais rápido do que isso. A tecnologia desenvolve pista adequada, sapatilha adequada, treinamento adequado... e até os recursos ergogênicos adequados para percorrermos essa distância em 9,74s – Tyson Gay correu em 9,69s, mas como o vento estava muito forte, não foi considerado quebra de recorde. MAS ACREDITAR QUE UM SER HUMANO POSSA CORRER 100 METROS EM 9,69s E NÃO ESTAR DOPADO! É QUERER MUITO DE UM ESPECIALISTA DO ASSUNTO.

Tyson Gay (9,69s a favor do vento) - Usain Bolt (9,72s - recorde mundial)

Ainda assim, a imprensa até hoje critica e crucifixa o jamaicano naturalizado canadense Ben Johnson por ter utilizado Estanozolol nas Olimpíadas de Seul, em 1988. Mas pergunto: dos que estavam competindo contra ele naquela prova, existe alguém que estava limpo? Ou que não tivesse utilizado alguma substância em algum momento da preparação? Lembrando que o ciclo de preparação de um atleta olímpico é, geralmente, maior do que dos jogadores de futebol. Se naquela época tenho minhas dúvidas se alguém competia sem auxílio de alguma substância, imaginem hoje, onde todos os 8 finalistas da prova dos 100 metros rasos realizam marcas impressionantes!

Apenas citei uma modalidade de um esporte. Acredito fielmente que todos os esportes, sem exceção, são semelhantes. Talvez esteja arrumando confusão com algo ou alguém. Mas essa opinião está formada, e até que me provem o contrário, não a trocarei por nada. Ninguém é “santo” em um negócio que rende muita grana (ao menos fora do Brasil).



Hoje ninguém é mais queimado na fogueira (se fosse assim... ai de mim!). Mas o castigo dos especuladores no mundo científico é a perda de emprego na Universidade, perda dos fundos da pesquisa, perda do respeito de seus iguais (todos temerosos da horda) e a impossibilidade de publicar suas heresias nos periódicos... ortodoxos!




A comunidade científica é uma forma atual da Inquisição, a qual possui como aliados, a comunidade dos jornalistas, farmacêuticos, médicos... – entramos novamente na famosa “Teoria da Conspiração de Dall’Aqua”. E você, leitor, não imagina as atrocidades que já foram cometidas por ela – e que continuam a ser cometidas. Lógico que a comunidade científica é governada por uma curiosidade, um desejo de brincar com as coisas, uma atividade de observação e um gosto pelas experiências tão elogiáveis – e de regra bem pagas! Mas, nas sombras, governada também pelo orgulho, pela competição por fama e prestígio, por uma inveja e uma agressividade feroz contra a “especulação” – agressividade à qual se dá o nome de crítica... “objetiva”!

Retornando ao tema da coluna, podemos observar que apenas uma variável do treinamento (que formalmente não pode ser encontrada no treinamento, mas que todos nós – especialistas – sabemos que se encontra) - a variável dos recursos ergogênicos do doping - pode provocar uma tremenda de uma discussão, imagina se resolvesse comentar sobre todas as variáveis que estou, neste exato momento, pensando! Deixarei para comentar posteriormente.



Mas, independente da variável a ser questionada, ao adquirirmos o conhecimento de que existem diversos fatores que podem influenciar na conquista ou não de uma medalha olímpica, a pergunta que fica na cabeça de cada treinador é: como orientar-me nesse caos?



De certo modo, caos para a sociedade significa ausência completa da possibilidade de orientação baseada em conhecimentos – ou preconceitos – do passado, na “sabedoria ancestral” ou mesmo em instintos.

Para melhor compreensão, podemos analisar que até a metade do século XX, “a” verdade era única, linear, “eterna”, genérica e totalmente fora do tempo – e da realidade – que é um acontecer e não uma coisa. Assim, o Esporte surgiu e se desenvolveu assim também. O problema é que muitos esportes (ou quase todos) teimam em continuar assim. Não evoluem. Evoluem as marcas, os recordes. Mas o contexto ainda permanece o mesmo. São poucos esportes que se re-estruturaram com o passar do tempo – os americanos são campeões nisso: “replays” para os juízes; vários juízes em uma minúscula quadra de basquetebol; inúmeros atrativos para o público (o estado do Arizona lucrou US$500 milhões para apenas sediar a final do “Superbowl” – a grande final do futebol americano – leiam no site: http://globoesporte.globo.com/ESP/Noticia/0,,MUL414090-7988,00.html).

Ao olharmos para o nosso futebol, percebemos completa “paralisia espaço-temporal”. Continua lucrando. Mas porque foi capaz de atingir os países mais pobres (como o nosso Brasil), onde o povo se contenta em assistir a uma partida de futebol em pé, sem conforto e sendo extorquido pelos vendedores no estádio. Nos países mais ricos também gera lucro, mas em atividades ilegais - não irei nem comentar sobre os "russos" que estão assumindo diversos clubes - novamente: "Teoria da Conspiração", adaptada por Dall'Aqua. Mas enquanto esse esporte ainda render aos cofres de poucos “espertos”, ele continuará sendo o mesmo.

Concluindo, essas variáveis do treinamento são estruturadas e organizadas em inúmeros setores também. Não adianta um atleta utilizar diversas substâncias, treinar pesado o ano todo, e na hora da competição, não ser patrocinado por uma “marca x” que possa mascarar as “tais” substâncias utilizadas por ele – “Teoria da Conspiração de Dall’Aqua”. Acabarei por aqui, para evitar complicações futuras, pois ainda pretendo trabalhar em uma Faculdade ou Universidade, realizar pesquisas e ser um cientista.
Agradeço sua leitura.
Para mais informações, opiniões ou críticas, comente o blog ou envie um e-mail para rdallsantos@hotmail.com.

Obrigado!
Rodrigo Dall’Aqua

terça-feira, 22 de julho de 2008

Grandes atletas do levantamento de peso II


Vasily Alexeev
O atleta a ser mencionado hoje foi uma das mais carismáticas figuras da modalidade sendo considerado o mais famoso atleta na história do levantamento de peso. O gigante soviético Vasily Alexeev (1,86 m e 160 kg), bicampeão olímpico (Munique’72 e Montreal’76) de super-pesados, invicto entre 1970 e 1977, nasceu em 1942, na cidade de Moscou, República Socialista Russa, parte integrante da ex-União Soviética.


Aos 19 anos, ele trocou uma carreira promissora no voleibol pelos pesos, aproveitando melhor sua incrível força, e começou a facilmente colecionar títulos nacionais e internacionais.
Sem dúvidas, Vasily Alexeev - também traduzido como "Alexeyev" - foi (e ainda é) o atleta mais popular e conhecido do Levantamento de Peso.



Alexeev ficou sete anos invicto - entre 1970 e 1977 - em torneios internacionais, colecionando 22 títulos neste período. Entre eles, oito campeonatos mundiais, duas medalhas de ouro olímpicas e nove títulos europeus.



Dono de uma impressionante força física, Alexeev dominou o esporte com uma marca surpreendente de 80 recordes mundiais durante a carreira, sendo sete deles conseguidos em uma única noite. Este número adquire uma importância maior do que a esportiva, já que o governo soviético premiava o atleta com a soma de US$1.500 por recorde quebrado, verdadeira fortuna para os padrões socialistas.




Foi também o primeiro halterofilista a superar o mito da marca de 600 kg na prova de peso total nos 3 levantamentos – arranque, arremesso e o desenvolvimento ou “militar press”- e a dos 400 kg nos dois levantamentos (arranque e arremesso) – veja o vídeo no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=9K0Ze7-q6yk.


Alexeev foi o primeiro atleta a ultrapassar a barreira dos 400 kg na soma do aremesso e do arranque.



Com sua força incomum, o gigante russo - 1,86 m e 160 kg - alcançou a marca de 640 kg no peso total durante os Jogos Olímpicos de Munique-1972. Este recorde jamais será batido, já que a prova foi retirada do programa olímpico depois daqueles Jogos.


Entre os métodos de treino inusitados do “Urso Russo”, que comia uma omelete com 3 dúzias de ovos em seu “pequeno almoço”, podemos citar o levantamento de pesos dentro das águas do rio Don – o que provavelmente seja uma excelente técnica de treino, pois há a possibilidade de levantar mais carga do que o normal, visto que o período em que a barra se encontrar dentro da água, o peso dela será reduzido. Assim, a aplicação da real força da barra será a partir do momento que a mesma se encontrar fora do meio líquido.



Os treinadores de Alexeev - Arkady Vorobyev foi um deles - inovaram bastante nos métodos de treino para levantadores de peso.



Em Montreal (1976), Alexeev conquistou sua segunda medalha de ouro olímpica. Depois de uma séria lesão em 1978, voltou a competir nos Jogos de Moscou (1980), porém não conseguiu levantar a barra acima dos joelhos. Atualmente, de acordo com várias entrevistas em programas russos, Vasily Alexeev dedica-se a traduzir livros de Jack London para o russo, colecionar peças de cristais e conhaque da Armênia, além de ler e re-ler os livros de Lênin.


Foto recente de Vasily Alexeev.
Fugindo dos padrões soviéticos, Alexeev, após aposentadoria como atleta, não seguiu carreira de treinador.
Para mais informações, sugestões ou críticas, postem comentários ou enviem um e-mail para rdallsantos@hotmail.com.
Obrigado!
Rodrigo Dall'Aqua