terça-feira, 22 de julho de 2008

Grandes atletas do levantamento de peso II


Vasily Alexeev
O atleta a ser mencionado hoje foi uma das mais carismáticas figuras da modalidade sendo considerado o mais famoso atleta na história do levantamento de peso. O gigante soviético Vasily Alexeev (1,86 m e 160 kg), bicampeão olímpico (Munique’72 e Montreal’76) de super-pesados, invicto entre 1970 e 1977, nasceu em 1942, na cidade de Moscou, República Socialista Russa, parte integrante da ex-União Soviética.


Aos 19 anos, ele trocou uma carreira promissora no voleibol pelos pesos, aproveitando melhor sua incrível força, e começou a facilmente colecionar títulos nacionais e internacionais.
Sem dúvidas, Vasily Alexeev - também traduzido como "Alexeyev" - foi (e ainda é) o atleta mais popular e conhecido do Levantamento de Peso.



Alexeev ficou sete anos invicto - entre 1970 e 1977 - em torneios internacionais, colecionando 22 títulos neste período. Entre eles, oito campeonatos mundiais, duas medalhas de ouro olímpicas e nove títulos europeus.



Dono de uma impressionante força física, Alexeev dominou o esporte com uma marca surpreendente de 80 recordes mundiais durante a carreira, sendo sete deles conseguidos em uma única noite. Este número adquire uma importância maior do que a esportiva, já que o governo soviético premiava o atleta com a soma de US$1.500 por recorde quebrado, verdadeira fortuna para os padrões socialistas.




Foi também o primeiro halterofilista a superar o mito da marca de 600 kg na prova de peso total nos 3 levantamentos – arranque, arremesso e o desenvolvimento ou “militar press”- e a dos 400 kg nos dois levantamentos (arranque e arremesso) – veja o vídeo no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=9K0Ze7-q6yk.


Alexeev foi o primeiro atleta a ultrapassar a barreira dos 400 kg na soma do aremesso e do arranque.



Com sua força incomum, o gigante russo - 1,86 m e 160 kg - alcançou a marca de 640 kg no peso total durante os Jogos Olímpicos de Munique-1972. Este recorde jamais será batido, já que a prova foi retirada do programa olímpico depois daqueles Jogos.


Entre os métodos de treino inusitados do “Urso Russo”, que comia uma omelete com 3 dúzias de ovos em seu “pequeno almoço”, podemos citar o levantamento de pesos dentro das águas do rio Don – o que provavelmente seja uma excelente técnica de treino, pois há a possibilidade de levantar mais carga do que o normal, visto que o período em que a barra se encontrar dentro da água, o peso dela será reduzido. Assim, a aplicação da real força da barra será a partir do momento que a mesma se encontrar fora do meio líquido.



Os treinadores de Alexeev - Arkady Vorobyev foi um deles - inovaram bastante nos métodos de treino para levantadores de peso.



Em Montreal (1976), Alexeev conquistou sua segunda medalha de ouro olímpica. Depois de uma séria lesão em 1978, voltou a competir nos Jogos de Moscou (1980), porém não conseguiu levantar a barra acima dos joelhos. Atualmente, de acordo com várias entrevistas em programas russos, Vasily Alexeev dedica-se a traduzir livros de Jack London para o russo, colecionar peças de cristais e conhaque da Armênia, além de ler e re-ler os livros de Lênin.


Foto recente de Vasily Alexeev.
Fugindo dos padrões soviéticos, Alexeev, após aposentadoria como atleta, não seguiu carreira de treinador.
Para mais informações, sugestões ou críticas, postem comentários ou enviem um e-mail para rdallsantos@hotmail.com.
Obrigado!
Rodrigo Dall'Aqua

quarta-feira, 16 de julho de 2008

MUDANÇAS EM NOSSAS VIDAS


Hoje não escreverei sobre esportes. Por alguma razão que desconheço, fui possuído de uma enorme vontade de escrever sobre algo que todos presenciam (ou presenciaram): a rotina. Todos nós nos sentimos, em certos momentos de nossas vidas, acomodados, ou pior, conformados com a situação (qualquer que seja: boa, média, ou ruim) em que nos encontramos. Para modificá-la, há a necessidade de enfrentarmos o medo do desconhecido. Assim, muito se fala do medo do desconhecido, mas pouco se fala do tédio do conhecido, do que é seguro. Do que se repete, da vida vivida "como se deve", e não da vida vivida "como se deseja".


Existe um princípio (o princípio da Não-contradição Existencial) que cita que a alma da aventura é o inesperado, a ameaça, o imprevisto. O oposto disso, a segurança, o previsto, o esperado, não faz com que nos sintamos vivos.


O problema todo é que nós lutamos contra aquilo que mais desejamos. No lugar da contínua transformação que somos nós, preferimos os noticiários e as propagandas intermináveis: o mundo está se transformando: mudam as modas, os remédios para celulite, são inventados a cada dia, melhores xampus (que evitam até queda de cabelo!), aparelhos de musculação que lhe proporcionam músculos ultra-definidos e, acreditem, mesmo trabalhando a região abdominal, você emagrece, ganha massa muscular e fica "saradão" com apenas 3 minutos por dia! - ou seja, a cada dia que se passa, preferimos ouvir e ver tantas "barbaridades", como simples expectadores de um jogo de futebol, a transformar (modificar) essa nossa realidade.


Freud cita que o desejo de segurança é um instinto de morte. Medo de correr riscos - eternamente inevitáveis - pois não há dois momentos iguais no Universo. Desse medo surgem os "abençoados" com o dom da premonição. Há aqueles com tanta insegurança do futuro, que se prevêem com extrema precaução bem antes de o mesmo chegar. Porém, o grande problema é que, enquanto essa pessoa estiver viva, sempre haverá futuro para ela. Assim, ela nunca estará vivendo o presente, e sim, vivendo para o futuro.



São deveras profundas as raízes do tanto que se faz e pensa a fim de prever e "garantir" o futuro, quando toda a evidência nos prova que essa previsão é impossível.


Hoje os biólogos começam a falar de optoptose - suicídio espontâneo da célula ou do ser vivo, programado no DNA e ativado quando a célula ou o ser vivo não possui mais ou nunca possuiu função. Isso é causado por fatores psiconeuroimunológicos. Psicológicos, quando a vida é um contínuo tédio sem sentido, uma repetição estúpida ou um desamparo sem medida. Fatores neurológicos porque então os neurônios produzem enxurradas dos neurotransmissores inibidores, enquanto são liberados no sangue os hormônios do estresse (causando depressão, medo crônico de tudo, vontade de morrer). E por fim, imunológicos, porque o sistema defensivo do organismo esgota-se pelo esforço inútil de permanecer vivo.


Essa "optoptose" está cada vez mais se tornando parte de nossa sociedade. Um dos motivos que acarretam essa ascensão está relacionado aos valores da sociedade. Fama e sucesso são, hoje em dia, obrigações para se tornar um "bem-sucedido" empresário, jornalista, médico, professor, treinador...adotando, se necessário (e está se tornando necessário!), a filosofia maquiavélica onde, os fins justificam os meios. Quem não consegue essa fama, sente-se um imprestável. Assim, ainda tenta, de todas as maneiras possíveis, ser semelhante às "imagens" na televisão.


Li esses dias que, na sociedade norte-americana, quase 10% da população sofre de depressão e 25% terá uma crise psiquiátrica em algum momento da vida. Falando de um país que, de acordo com o site da Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Demografia_dos_Estados_Unidos_da_Am%C3%A9rica), em 16 de janeiro de 2005, o censo estimou a população norte-americana em 295.267.686 habitantes, isso significa que em torno de 29,5 milhões de norte-americanos apresentam problemas depressivos. Ao ler os artigos do Journal of Psychiatry (Levinson et al., 2007; Holmans et al., 2007; Folstein et al., 2007; Storosum et al., 2001; Mayberg, 2002; Manji, 2003; Greenfield et al., 2000; Schatzberg, 2002; Anghelescu et al., 2001), observamos que em torno de 20-40% dessas pessoas que sofreram crises depressivas, sofreram por motivos estritamente genéticos e/ou traumas (perda de familiares, amigos, amores; guerras). Assim, 60-80% dessas pessoas que sofrem de depressão, os fatores condicionantes foram: uso abusivo de drogas (remédios, drogas sintéticas, incluindo EAA), problemas familiares e fatores socioculturais.


Soldado Norte-Americano no Iraque - Transtorno de Stress Pós-Traumático que pode acarretar em depressão profunda.




Jimi Hendrix, Jim Morrison, Kurt Cobain. Exemplos de que até mesmo fama e dinheiro não são capazes de proporcionar a tão desejada felicidade.

Infelizmente, essas "imagens" são imagens distorcidas, corrompidas pela ignorância, sexo, violência, infidelidade, mentira...já mencionei ignorância? - importantíssimo citar isso, pois nossos ídolos, presentes 24 horas na telinha, geralmente não sabem (ou fingem não saber) a tamanha influência que possuem no desenvolvimento das crianças e adolescentes de nosso país, onde a moda da garotada é usar brinco e andar em "bando" para espancar alguém "diferente" - diferente de sua raça, religião, diferente de sua "turma" apenas.


Todos os pré-supostos são limitações da percepção: "veja somente o que todos dizem que existe!". Por isso os pré-conceitos levam a decisões não propriamente erradas, mas na certa parciais - ou limitadas. Por isso os preconceitos alimentam continuamente a ansiedade. Ao restringir a percepção e tolher a liberdade de movimento, eles nos deixam indefesos.


Cada "não" ouvido e obedecido na infância cria um buraco naquela realidade que não foi experimentada, e um medo de viver as experiências que não foram permitidas pelas "autoridades" sociofamiliares. As crianças de hoje estão sendo criadas através do "não!" - "não corra no corredor", "não grite!", "não ponha a mão na boca"...até em relação à sexualidade, ainda continuam as barreiras. Apenas o que mudou foi a banalização do sexo, a vulgarização do sexo. Mas cá entre nós, dançar um "creo", assistir pornografia na internet, ou andar de mini-saia na rua, não auxiliam muita coisa para o (a) adolescente "se conhecer".


Por fim, o medo do futuro apenas se resolve ampliando a percepção do presente. Ou seja, se a pessoa estiver bem ocupada com e no presente, pouco ou nada se preocupará com o futuro. Pois ela estará, naquele momento, empenhada em uma tarefa interessante. O medo do futuro existe porque no presente se vive sem perceber a si e nem ao seu contexto. Resumindo, só vivem no passado ou só se preocupam com o futuro as pessoas que não têm presente - ou que não estão presentes ao presente.



Dúvidas ou sugestões, comentem o blog ou enviem um e-mail para rdallsantos@hotmail.com.

Obrigado!
Rodrigo Dall'Aqua

sábado, 5 de julho de 2008

Levantadores de peso - Leonid Taranenko


Nesse artigo, iniciarei uma série onde serão citados os principais atletas do levantamento de peso da história. Atletas que superaram limites, quebraram recordes e conquistaram medalhas de ouro, prata e bronze nos Jogos Olímpicos para suas respectivas nações.

Em épocas completamente diferentes da nossa, onde havia (ou não) um pequeno conhecimento sobre planejamento de treino; onde se acreditava que "quanto mais treino, melhor!", jamais cogitando a existência de uma variável do treinamento, chamada hoje, de supertreinamento ou "overtraining", e até mesmo os esteróides anabólicos androgênicos (EAA) eram praticamente desconhecidos (mais do que atualmente). Sobre os aspectos nutricionais então nem se fala. Mas mesmo assim, podemos observar que os atletas praticavam o esporte, seja qual for a modalidade, com o "coração". Eram "cobaias" de seus treinadores apenas pelo prazer de competir, sem se importar com o fato de não possuírem garantias de uma aposentadoria segura, ou até mesmo de uma vida saudável após a carreira esportiva.

Os primeiros atletas que mencionarei foram duas lendas da ex-União Soviética. Competiram em épocas de Guerra Fria, onde tanto a URSS quanto os EUA lutavam muito para dominarem o cenário esportivo. Leonid Taranenko e Vasily Alexeev foram dois monstros! Duas personalidades que, na época, foram comparados aos heróis superpoderosos das histórias em quadrinhos. Não iniciarei falando sobre a maior lenda (Alexeev) pois, creio que Taranenko tenha sido mais (se isso é possível!) impressionante. Taranenko não era tão alto quanto Alexeev. Não era tão pesado quanto. Mas mesmo assim, foi capaz de feitos impressionantes.


Leonid Taranenko



Nascido em 1956, conquistou em sua carreira 5 medalhas olímpicas: 2 de ouro, 2 de prata e 1 de bronze, competindo nas categorias 108+ kg, 110 kg e 110+ kg.

Detentor de 26 quebras de recorde, foi o atleta que levantou a carga mais pesada do século 20. Aconteceu em Camberra, na Austrália em 1988 através de um arremesso de 266 kg, que passou então, durante as décadas seguintes até os dias atuais, a ser um desafio para os demais atletas.



Taranenko realizando o segundo maior arremesso de todos os tempos: 265,5 kg.
Link para ver esse arremesso: http://www.youtube.com/watch?v=gsXY7KxegAc
Link para assistir ao maior arremesso (266 kg): http://www.youtube.com/watch?v=D845ugFQh2U



Formado na escola bielorrussa de levantamento de peso, Taranenko levantou pesos em nível internacional até os seus 40 anos de idade. Durante sua carreira, ele representou as seleções nacionais da URSS, e após o colapso, a Comunidade dos Estados Independentes e, por fim, a Bielorrússia.

Taranenko se tornou candidato para a seleção soviética aos 19 anos, em 1975. Entretanto, sua ascensão ocorreu nos Jogos Olímpicos de Moscou, em 1980, onde ele conquistou a medalha de ouro na categoria de 110 kg. Quatro anos mais tarde, ele estava preparado para competir em sua segunda Olimpíada, entretanto, devido ao boicote da URSS nos Jogos Olímpicos de 1984 em Los Angeles, ele deixou de conquistar seu merecido título. Como alternativa ao Jogos Olímpicos, os soviéticos participaram do Torneio Amistoso Internacional, onde Taranenko venceu na classe de 110 kg com o recorde mundial total de 442,5 kg (ou 52,5 kg a mais do que Norberto Oberburger - o medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Los Angeles).

Rapidamente, após esse ano, Taranenko transferiu-se para a categoria Super Pesados (110+ kg). Esse passo foi arriscado pois ele não era tão alto para essa nova categoria de peso. Em adição, o time soviético já possuía uma longa lista de jovens ambiciosos para se tornarem o "homem mais forte do mundo" nessa categoria, título que se generalizou após a aposentadoria de Vasily Alexeev.


Comparação entre Taranenko na categoria 110 kg e Taranenko na categoria acima de 110 kg.



Em 1992, aos 36 anos, Taranenko conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Barcelona representando sua pátria, Bielorrússia. Aos 40 anos de idade, Taranenko conquistou o título de Campeão Europeu e também tentou sua participação nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. Apesar da conquista do europeu, sua longa história de lesões o impediram de alcançar esse último desejo em sua carreira de atleta. Após sua aposentadoria, Taraneko seguiu a carreira de treinador, sendo em 2004, antes dos Jogos Olímpicos de Atenas, demitido do comando da seleção nacional da Índia devido ao resultado positivo no doping de duas atletas indianas. Porém, esse episódio singular foi incapaz de manchar uma das mais brilhantes carreiras e histórias no levantamento de peso.


Leonid Taranenko nos dias atuais.


Na próxima biografia, será descrita a história do levantador de pesos conhecido como "Urso Russo", Vasily Alexeev. O gigante russo de 1,86m e 160 kg que quebrou, ao todo, 80 recordes mundiais em sua carreira e, além de ter sido um dos melhores levantadores de peso de todos os tempos (alguns dizem que foi o "Pelé" do levantamento de peso), foi também uma das mais carismáticas figuras da modalidade.


Qualquer dúvida ou sugestão, comentem o blog ou enviem um e-mail para rdallsantos@hotmail.com.


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Rodrigo Dall'Aqua

domingo, 29 de junho de 2008

Levantamento de peso - Força Rápida


Nesse artigo, escreverei sobre a principal capacidade biomotora da força a ser desenvolvida no atleta de levantamento de peso: a Força Rápida. Antes de citarmos a força rápida (força explosiva ou potência), re-lembraremos as modificações dos componentes neurais em relação ao treinamento de força (máxima ou força rápida).

Podemos sintetizar a postagem anterior sobre força máxima citando Sale (2003): "as adaptações* neurais predominam no início do treinamento. Posteriormente, quando alcançam um platô, ocorre a adaptação* muscular" (hipertrofia). *hormese.

Sendo esse conceito de Sale (2003), denominado pelo mesmo de adaptação neural, surge da observação de um aumento da força no início do treinamento com ausência (mensurável) de hipertrofia (aumento da secção transversa do músculo - aumento do tamanho muscular).

Assim, como explicado no artigo anterior, as adaptações de ordem neurais, segundo Häkkinen (2002), envolvem: (a) aumento da velocidade de condução e freqüência dos estímulos nervosos; (b) sincronização de unidades motoras intra e intergrupamentos musculares sinergistas ao movimento. É importante conhecer as alterações neurais relacionadas ao treinamento de força, pois Charniga (2001) cita que as duas capacidades motoras mais exigidas no levantamento de peso são a força máxima e a força rápida (essa sendo a primária, a mais importante).


Força Rápida


De acordo com Bompa (2002); Weineck (2003) e Platonov (2004) força rápida (potência) é a capacidade para realizar um movimento explosivo, no menor tempo possível, resulta da integração de força máxima e velocidade. Para este autor existem dois tipos de potência: acíclica e cíclica. A Potência acíclica é o tipo de potência que não possui um ciclo, ou uma continuação do mesmo, ou seja, há uma quebra de “ritmo” durante a realização do movimento (como por exemplo o arranque e o arrremesso). Já a Potência cíclica é o tipo de potência que já possui um ciclo, o ciclo só é quebrado com o fim do que se deseja realizar.

Ritzdorf (2000) divide a força em grupos de esportes conforme a aplicação da força. O grupo do levantamento de peso é o de esportes com aplicação de força concêntrica de alta intensidade e curta duração. Este se caracteriza por aplicações de força breves e muito potentes, onde os músculos geralmente trabalham de forma puramente concêntrica. Essas atividades geralmente envolvem certa massa (implemento esportivo ou próprio corpo), que deve ser acelerada ao máximo, ou quando a duração do movimento deve tornar-se mínima. O autor ainda diz que a potência não é dimensão independente da força, pelo contrário, é determinada pelo alto nível de força máxima.

Um dos principais métodos de se desenvolver potência (força rápida) é o pliométrico, que, de acordo com Verkhoshansky (2000), é uma forma específica de preparação da força dirigida ao desenvolvimento da força explosiva muscular e da capacidade reativa do sistema neuromuscular.




Exemplo de treino pliométrico para os membros inferiores: (1) queda; (2) impulsão (contato rápido ao solo); (3) salto.

Neste método, o peso da sobrecarga e sua força de inércia não influem tanto no estímulo mecânico externo para a atividade muscular como a energia cinética, acumulada no aparelho ou no corpo do esportista durante a queda de certa altura (0,75 a 1,10 metros). Um estiramento brusco (pliométrico) dos músculos durante a ação de freio do aparelho (ou do corpo) que cai, constitui um fator de estímulo que aumenta a velocidade da posterior contração muscular e diminui a duração da fase de transição do trabalho excêntrico ao concêntrico, ou seja, o músculo irá se contrair com mais força e rapidez a partir da posição de pré-alongamento, sendo que essa fase de encurtamento deve ocorrer imediatamente após a conclusão da fase de pré-alongamento (Bompa, 2004; Verkhoshansky, 2000).

As maiores vantagens do método pliométrico são as seguintes: ele garante um desenvolvimento muito rápido do máximo impulso dinâmico da força e esse valor é superior ao do resto de tipos de trabalho e é alcançado sem utilizar uma sobrecarga suplementar; a transição do trabalho excêntrico ao concêntrico é mais rápido que em outros casos, sendo que o considerável potencial de tensão muscular acumulado na fase de amortecimento e a inexistência de uma sobrecarga suplementar garantem um maior trabalho muscular na fase de impulso e uma maior velocidade de contração muscular, que se manifesta na maior altura do salto depois do impulso (Verkhoshansky, 2000).

Porém, Verkhoshansky (2000) recomenda não utilizar esse método quando o esportista não está completamente restabelecido de lesões nos músculos, nas articulações, nos ligamentos e nos tendões ou quando ele se cansou com a carga anterior. O autor também não aconselha utilizá-lo: na etapa inicial de treinamento atual, quando organismo ainda não está preparado para uma sobrecarga mecânica intensa; na etapa de aperfeiçoamento profundo da técnica do exercício de competição, sobretudo quando ela exige uma modificação de elementos delicados (detalhes) de coordenação; em vésperas de competição e quando o esportista carece de uma técnica racional de execução dos exercícios.



Exemplo de treino pliométrico para os membros superiores com a utilização de uma sobrecarga (medicine ball)


Em relação ao desenvolvimento da potência (força rápida) por meio dos pesos livres, Zenalov (1976) cita que, em relação aos membros inferiores (principais músculos a serem desenvolvidos no levantamento de peso para a obtenção de bons resultados), os exercícios de assistência (como por exemplo o agachamento frontal e o agachamento) são comumente usados objetivando o aumento da força (força máxima e força rápida). Zenalov (1976) explica que os exercícios de agachamento geralmente são realizados com cargas próximas à carga máxima do arremesso ou do arranque (carga inferior ao arremesso), ou seja, mesmo que o atleta consiga agachar com 100 kg a mais, é recomendável que ele realize um maior volume de treino do que uma maior intensidade, devendo assim, diminuir a carga. Isso, explica Deniskin (1981), deve-se ao fato de que, apesar de ser um exercício de extrema importância, esses exercícios contribuem eficazmente apenas para o desenvolvimento da força absoluta, mas possuindo uma pequena eficácia em gerar força explosiva (Vorobeyev, 1977; Medvedyev, 1968; Avenesov, 1970).

Assim, , podemos concluir que, em relação ao levantamento de peso, os exercícios mais recomendados para o desenvolvimento da força rápida são os de competição (arranque e arremesso) e os pliométricos, sendo de extrema importância a correta utilização de ambos em seus devidos períodos de preparação, pois um erro metodológico ou de planejamento poderá ocasionar em uma falha na aquisição da capacidade física mais importante dessa modalidade (e de diversas outras): a força rápida.





O agachamento para atletas de levantamento de peso não necessita ser tão pesado quanto para os levantadores básicos, pois a modalidade exige uma maior força de velocidade (e não força máxima) e, ao mesmo tempo, um agachamento mais profundo (ao contrário do levantamento básico, onde o exercício é realizado até os 90º de flexão).


Ao longo dessa semana, postarei um artigo sobre a última capacidade biomotora da força: a força de resistência, em especial a de resistência hipertrófica.

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Rodrigo Dall'Aqua

sábado, 14 de junho de 2008

IV Simpósio de Educação Física em Cardiologia - Gramado/2008



Hoje, devido à falta de tempo para postar artigos sobre os temas antes desenvolvidos nesse blog, irei comentar sobre o IV Simpósio de Educação Física em Cardiologia realizado em Gramado, na sexta-feira e no sábado (13 e 14, respectivamente), onde tive a oportunidade de, juntamente com os colegas e amigos Luciano Ribeiro e André Rosa, apresentar, em forma de pôster, nosso trabalho sobre EAA (esteróides anabólico-androgênicos).


Rodrigo Dall'Aqua, André Rosa e Luciano Ribeiro - Apresentação do pôster:
Respostas cardiovasculares em usuários de esteróides androgênicos anabolizantes (EAA) submetidos ao teste de esforço máximo.


Não comentarei especificamente sobre o trabalho pois há ainda alguns ajustes a serem realizados. Restringirei-me apenas a citar que, infelizmente, em nossa sociedade são poucas as pessoas que são capazes de discutir, de uma maneira imparcial, sobre algo tão polêmico e (mais importante) algo que está se tornando um problema de saúde pública semelhante à obesidade: o uso abusivo de Esteróides Anabólico-Androgênicos por atletas e não-atletas.

Talvez devido ao medo, ou ao preconceito - um conceito ou opinião sobre algo antes mesmo de ter contato ou conhecimento - muitos colegas com doutorado e até mesmo médicos criticam e menosprezam de tal modo que, se não possuíssemos a vivência e experiência no meio do esporte (a prática!), onde podemos observar um índice elevado e crescente de usuários informados - porém vejam que informação não é sinônimo de CONHECIMENTO! A informação está extremamente fácil de se obter hoje em dia (internet, revistas, jornais, televisão...), já o conhecimento e, principalmente o conhecimento sobre essas drogas, ainda é inexistente na grande maioria da população e também nos próprios usuários - certamente seríamos rigorosamente contra o uso de tais substâncias. Porém, nossa (do grupo) opinião em relação ao tema não é tão extrema assim. É um pouco simples até. Pode ser resumida em uma palavra: "depende". Depende dos objetivos, da dosagem, do "conhecimento" do usuário em relação à substância utilizada, etc. Como tudo na vida, o uso de EAA também possui seus prós e contras. Resultados benéficos e efeitos colaterais maléficos.

Resumindo, acredito que, apesar de toda a informação que podemos encontrar nos meios de comunicação sobre os EAA, ainda não estamos preparados para buscarmos o conhecimento dos EAA. Isso só será possível quando essa barreira do preconceito e do medo for superada. Quando esse tema parar de ser visto por alguns como "piada", onde eles ainda acreditam que quem utiliza tais substâncias são apenas os "ogros" das cavernas, os halterofilistas e fisiculturistas, e, assim como nossos políticos, vivem em outra realidade e raramente (às vezes nunca), retornam ou visitam nosso mundo. Mundo onde os atletas de elite (sim! esses das Olimpíadas - alguns, ou seria a grande maioria?...volto na "Teoria da Conspiração" adaptada por Dall'Aqua), pessoas treinadas (semi-atletas - com longo tempo de treinamento - acima de 6 anos), e até mesmo novatos (acreditem! há usuários com apenas poucos meses de treinamento!) estão usando os EAA com o objetivo de melhora de rendimento e/ou melhora estética (pessoas famosas utilizam também! Vejam a Playboy desse mês! - no mínimo um "Deca-durabolin" (Nandrolona) tem naquele corpinho!).

Mudando de assunto - pois retornarei ao mesmo futuramente, quando nosso trabalho estiver finalizado - gostaria de comentar sobre os pontos mais marcantes desse encontro. Primeiramente, como de costume, irei polemizar, e falarei sobre uma propaganda do MEC que foi muito criticada pelos profissionais da Educação Física: nesse comercial - do "Pro-uni" - há dois jovens na praia. A menina diz que quando olha para o mar, sonha em ser bióloga. Já o menino, olha para a praia e observa umas mulheres jogando vôlei, e diz que sonha em fazer Educação Física, sendo que logo após, a garota pergunta com cara de deboche: "Educação Física??", ficando clara a opinião da maior parte da população brasileira em relação ao educador físico: um folgado, sem estudo, que gosta de esportes, resumindo, um professor que apenas joga a bola para as crianças se divertirem.

Peço a todo profissional (Educador Físico) que esteja lendo essa coluna que entre no site do MEC (http://portal.mec.gov.br/) e faça uma crítica à propaganda. Como Educadores Físicos devemos exigir RESPEITO. Vagabundo existe em todas as profissões! Não podemos ficar manchados por alguns elementos.

Nossa área tem que começar a ocupar seu devido e merecido espaço na sociedade. Através de profissionais bem capacitados, podemos fazer parte de uma equipe multi-disciplinar para auxiliar na reabilitação de pacientes cardiopatas, diabéticos e etc. Podemos realizar inúmeras pesquisas científicas sobre o CORPO HUMANO (ainda pouco conhecido pelo homem). Podemos treinar campeões olímpicos. Somos os mais aptos para isso! Mas estamos perdendo espaço. Espaço que ainda não está ocupado, porém, aos poucos, devido à nossa incompetência, está sendo preenchido por profissionais de outras áreas (até mesmo não ligadas à Área da Saúde!).



Assim, fica um sinal de alarme para todos os colegas. Devemos exigir mais respeito, porém, ao mesmo tempo, devemos fazer por merecê-lo. O principal meio é o estudo, o conhecimento. E, através dele, devemos, pouco a pouco, transformar (modificar) a cultura brasileira que se instalou desde a época da ditadura, onde a Educação Física era mecanicista e repetitiva - e continua sendo até hoje (infelizmente) - para então, instalar uma "cultura da Saúde", onde o Ministério da Saúde seja realmente o da "saúde" e não o da "doença" como é atualmente, onde ele prioriza o tratamento ao invés da PREVENÇÃO! Sendo comprovado que a cada 1 real gasto na "Saúde" (esporte, exercícios físicos, lazer...) o governo economiza mais de 3 reais no tratamento de futuras doenças!
Dúvidas ou informações: postem comentários ou enviem um e-mail para rdallsantos@hotmail.com.
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Rodrigo Dall'Aqua

domingo, 8 de junho de 2008

Levantamento de peso - capacidades motoras (parte II)

Nesse artigo, retornaremos à modalidade de levantamento de peso, onde continuaremos a descrevê-la de um modo científico, agora as capacidades especiais da força, ou seja, os tipos de força que a modalidade mais necessita: força rápida e força máxima. Primeiramente, conceituaremos o significado de "força" de acordo com a literatura, para então, entrarmos nas divisões e por fim, definirmos meios e métodos de treinamento que são utilizados para se treinar cada tipo de força.

Força - A força muscular é importante em vários esportes, especialmente no Levantamento de peso, onde é a capacidade física mais solicitada.

A força está ligada a capacidade de aplicar impulso. Representa a capacidade do indivíduo para vencer ou suportar uma resistência, ou seja, é a capacidade de superar resistências e contra-resistências por meio da ação muscular (Bompa, 2002; Verkhoshanski, 2001). Também pode ser definida como a capacidade neuromuscular de superar uma resistência externa e interna (Zakharov, 2003). Em nível microscópico, a força pode ser definida como o número de pontes cruzadas de miosina que podem interagir com os filamentos de actina (PANCORBO SANDOVAL, 2005).


Harman (1993) cita que a mais precisa definição de força muscular é a capacidade de exercer força sob determinadas de condições como a posição do corpo, o movimento do corpo ao qual a força é aplicada, o tipo de movimento (concêntrico, excêntrico, isométrico, pliométrico) e a velocidade do movimento (BARBANTI, 1997; MAUGHAN e GLEESON, 2007).


Já o treinamento de força, também conhecido como treinamento contra resistência (treinamento resistido) é uma das formas mais populares de exercício para melhorar a aptidão física de um indivíduo e para o condicionamento de atletas (Fleck, 2006) e, de acordo com Weineck (2003, p. 224): “Antes de se fazer uma classificação dos tipos de força, deve-se considerar que a força e suas diversas manifestações podem ser sempre consideradas sob os aspectos de força geral e força específica”, sendo que os exercícios utilizados para o trabalho da força geral agem sobre todos os grupos musculares, independente dos movimentos que determinada modalidade esportiva exige, visando o desenvolvimento harmonioso de todo o organismo com o aperfeiçoamento de suas estruturas e funções, servindo de base para suportar as cargas de treinamento de caráter especial do esporte considerado (BARBANTI, 2001).

Em relação à força específica, de acordo com Kraemer e Häkkinen (2004) a especificidade do treinamento de força é fundamental para o resultado final no desporto, o qual determina algumas exigências para determinados tipos de força, ou seja, enquanto algumas modalidades requerem um alto nível de força máxima e de força-velocidade, outras exigem níveis altos somente de força resistente ou de força-velocidade. Ainda há também outras modalidades que necessitam de um equilíbrio desses tipos de força (PLATONOV, 2004).







Agachamento frontal - exercício específico de força no levantamento de peso.







Treino de tackle - ótimo treino para esportes como rúgbi ou futebol americano







Treino com cinta de peso (trenó - wield belts) - Específico treino de força para esportes de corrida como atletismo, futebol, futebol americano, rúgbi, etc.






É importante destacar que no âmbito desportivo, os tipos de força mencionados não se manifestam de forma isolada, mas sim em completa interação determinada conforme a especificidade de cada modalidade esportiva (Platonov e Bulatova, 2003). De acordo com Ritzdorf (2000), o desenvolvimento da força e da potência muscular é parte integrante do treinamento em quase todos os esportes. No entanto, os objetivos do treinamento são tão diferentes quanto os conteúdos, métodos e procedimentos utilizados.

Quanto aos métodos e programas do treinamento de força, encontramos vários exemplos e sugestões na literatura. Baseado em Weineck (2003), listamos alguns deles: Treinamento de Força Dinâmico (Positivo ou Concêntrico e Negativo ou Excêntrico), Treinamento Pliométrico e Treinamento de Força Estático Isométrico. Dentro destes métodos ainda existem outras subdivisões.

Para entendermos melhor, buscamos as classificações da força, onde, segundo Weineck (2003) temos três tipos: resistência de força (onde detalharemos apenas a força de resistência hipertrófica pelo fato de se aproximar mais, mesmo sendo uma capacidade geral, da especificidade do esporte) (Kraemer e Häkkinen, 2004), e a força máxima e força rápida, que serão consideradas capacidades motoras especiais para o levantamento de peso.

Capacidades motoras especiais - Força Máxima e Força Rápida:

Em relação à força máxima, podemos conceituá-la como a maior força disponível que o sistema neuromuscular pode mobilizar através de uma contração máxima voluntária quando a resistência só pode ser deslocada uma vez, ou se desloca ligeiramente e/ou transcorre a uma velocidade muito baixa em uma fase de movimento (WEINECK, 2003; BADILLO e AYESTERÁN, 2001).

No desporto de alto nível, Platonov (2004) cita que são utilizadas duas vias relativamente independentes e muito eficazes para desenvolver a força máxima. A primeira via pressupõe o incremento da força mediante o aperfeiçoamento dos mecanismos neurorreguladores (aprimoramento da impulsão e da coordenação inter e intramuscular) e o aumento da capacidade, da potência e da mobilidade do sistema alático de fornecimento de energia para a contração muscular.

Mas, esse meio não fornece um grande aumento da massa muscular, o que é importante, sobretudo, em modalidades esportivas em que o peso corporal não deve ser demasiadamente aumentado, como por exemplo, as competições de levantamento de pesos, onde os atletas de determinadas categorias de peso corporal devem aumentar sua força sem ultrapassar o peso limite (Weineck, 2003), ocorrendo uma melhora no recrutamento das fibras lentas, do tipo I, e rápidas, do tipo IIa e do tipo IIb, que atualmente são denominadas, de acordo com Pereira (2007), fibras do tipo IIx.

A segunda via, de acordo com Hartmann e Tünnemann apud Platonov (2004), pressupõe o aumento da força mediante o aumento do diâmetro muscular, baseando-se em uma organização do treinamento que permite uma intensa degradação das proteínas dos músculos ativos, estimulando, então, a síntese protéica no período de recuperação com a conseqüente supercompensação das proteínas contráteis e o respectivo aumento da sua massa.

Atualmente, os treinadores russos de levantamento de peso russos aparentam estarem utilizando demasiadamente essa via como método para o aumento da força. Charniga Jr. (2008), ao escrever um artigo sobre o Campeonato Europeu de Levantamento de Peso, 2008 (que pode ser acessado em seu site: http://www.sportivnypress.com/English/frames.html), cita que a maioria dos atletas russos estão treinando demais os membros superiores, como por exemplo os atletas Beretsov e Plovnikov, que aparentam até possuírem maior volume muscular em suas extremidades superiores do que nas extremidades que realmente importam para o esporte e que, sem dúvida nenhuma, são mais essenciais para o aumento da força em âmbito geral.

Plovnikov com seus braços maiores do que o necessário levantando 205 kg no arremesso.






Beretsov se lesiona após aquecimento para a prova de arremesso - observem que há uma desproporção entre membros superiores e tronco em relação às pernas.
















Beretsov realizando com muita dificuldade sua única tentativa de sucesso no arremesso com 220 kg


Porém, independente de qual via for utilizada para se treinar a força máxima, devemos compreender que a ação ocorrerá principalmente a nível neuromuscular, por isso Bompa (2001, p.150) afirma que “(...) um dos principais objetivos do treinamento de força máxima é aprender a eliminar a inibição do SNC”. Assim, uma diminuição dessa inibição, acompanhada por um aumento na força, resultaria no maior aumento do potencial de força, que está relacionada com a força absoluta. Força absoluta é a soma da força máxima e da força de reserva, mobilizada somente sob condições extremas (risco de vida, hipnose, etc.), ou seja, ela refere-se à capacidade de um atleta para exercer força máxima, não importando seu peso corporal (WEINECK, 2003).

A força absoluta, de acordo com Bompa (2001, p.26) “é necessária para se atingir altos níveis em alguns esportes (arremesso de peso, categorias de peso mais pesado no levantamento de pesos e luta greco-romana)”, ou seja, um alto nível de força absoluta é necessário quando o atleta deve superar uma grande resistência externa e quando há uma breve e uniforme contração isométrica juntamente com uma significante carga externa (VERKHOSHANSKY, 1995).

Resumindo, a força máxima, sendo uma capacidade motora que para ser treinada deve sofrer estímulos principalmente neuromusculares, só pode ser treinada através de cargas máximas ou próximas (acima de 90% de 1 AVM - Ação voluntária máxima ou comumente denominada RM - Repetição Máxima) (Bompa, 2002, Weineck, 2003, Platonov, 2008). Alguns autores, como Bompa (2002) ainda citam a Força Supramáxima, ou seja, acima de 100% de 1 AVM. Porém, Badillo e Ayesterán (2001) citam que a força supramáxima (ou a força acima de 100% de 1 AVM) só pode ser realizada de maneira excêntrica ou isométrica, ou seja, caso seja possível levantar a carga ao menos uma vez, essa carga automaticamente se torna o 100% de 1 AVM, mesmo que na sessão anterior, o mesmo 1 AVM fosse 10 kg a menos.



Mariusz Pudzianowski realizando um exercício de competição em situação de força máxima.



Sale (2006) no livro de Komi: Força e Potência no Esporte (2006) cita os principais meios de adaptação (hormese - lembram do artigo "Sistema Endócrino", onde comentei sobre adaptação-hormese?) neural ao treinamento de força. Um deles é o incremento da ativação dos agonistas, onde Seluianov (2008) fornece uma breve explicação de como funciona o mecanismo neural da contração muscular, citando que quando o atleta contrai qualquer músculo, ativa os correspondentes motoneurônios no córtex cerebral, que por sua vez envia impulsos para a medula espinal, através dos feixes de motoneurônios, servindo dado músculo. Visto que nos feixes de motoneurônios o tamanho deles é diferenciado, então, diante de um impulso de baixa freqüência a partir do sistema nervoso central, só consegue-se ativar motoneurônios de baixo limiar. Cada neurônio inerva as suas fibras musculares, por isso a ativação do motoneurônio leva ao recrutamento ou excitação das correspondentes fibras musculares (tipo I, IIa e IIx, além de outros tipos).

A ativação dos músculos sinergistas (músculos que contribuem para o movimento, porém não consideraremos os agonistas) também é, de acordo com Sale (2006), uma hormese ou um ajustamento neural devido ao treinamento. Assim com uma menor co-ativação dos músculos antagonistas, o que, de acordo com Aagaard et al. (2000) apud Komi (2006), essa co-ativação parece ser contraprodutiva, particularmente em uma tarefa de força. Mas uma das principais alterações hormértica em relação às respostas neurais ao treinamento de força, pode-se dizer que seja uma maior sincronização das unidades motoras (UMs), mesmo apesar de existirem poucos estudos longitudinais ou transversais de treinamento comparando grupos treinados e não-treinados (Sale, 2006), pode-se observar que a força de uma contração máxima depende de quantas unidades motoras são ativadas simultaneamente, assim como (ou até mais) da área de secção transversal do músculo envolvido (MAUGHAN e GLEESON, 2007).



Exemplo de músculos agonistas e antagonistas.


Analisando essas modificações, onde percebemos que durante o exercício máximo, o recrutamento inicial completo de (quase) todas as UMs é seguido por uma perda gradual de algumas UMs quando a fadiga acontecer (Maughan e Gleeson, 2007), podemos dizer que o tempo de recuperação para uma nova série deve ser suficiente para a restauração (quase) completa dessas UMs e do estoque de ATP para poder gerar um no recrutamento de UMs que seja tão intenso (ou quase) ao anterior, ou seja, para séries de força máxima, onde são recomendadas de 1 a 3 repetições, são necessários intervalos acima de 5 minutos (OLESHKO, 2008, EL-HEWIE, 2003; BADILLO e AYESTERÁN, 2001; WEINECK, 2003; BOMPA, 2002).


Ronnie Coleman descansando após uma série. Mesmo no fisiculturismo, em algum período do ano, é recomendável realizar treinos de força máxima.


Encerraremos essa parte sem comentarmos sobre a capacidade motora de Força Rápida para o texto não ficar muito maçante. No próximo artigo sobre Levantamento de peso retomarei alguns tópicos sobre sistema nervoso e finalizarei as capacidades motoras da força, citando as duas restantes (Força Rápida e Resistência de Força).
Dúvidas ou informações, comentem o blog ou enviem um e-mail para rdallsantos@hotmail.com.
Obrigado!
Rodrigo Dall'Aqua

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Despedida de um Herói!


Hoje escreverei sobre um momento ao qual todos presenciamos na data histórica de 25 de maio de 2008. A despedida de um dos maiores atletas brasileiros de todos os tempos. Falo de Gustavo Kuerten. O maior tenista que o Brasil já teve, e um dos 20 melhores de todos os tempos. Se não fosse pelas graves lesões, seria, tranqüilamente, um dos dez melhores.

Não irei falar sobre a pessoa Guga (pois não há muito mais o que falar, além de comentar o que todos nós já sabemos: ele é um exemplo a ser seguido por todos, não pela suas conquistas, mas devido ao seu caráter, seu modo de pensar e, principalmente, modo de agir!), mas irei comentar sobre como o nosso amado país o trata e, levantar uma teoria caso ele nascesse em um país vizinho, na Argentina.

Primeiramente, se nos focarmos no início de sua carreira, nós (brasileiros) nem o conhecíamos. Nem os profissionais da área (treinadores de tênis), acredito, que também mal o conheciam. O jogador de futebol é diferente... Aos 10 já é famoso, 16 assina contrato com um clube e, aos 17 vai para a Europa. Tudo bem! A situação de hoje é assim. A de 10 anos atrás era diferente... Acrescente um ano em cada fase citada anteriormente. Mesmo no futebol ainda há jogadores que passam despercebidos em inúmeros clubes.
Voltando ao tênis, Guga surgiu em 1997, aos 20 anos de idade, ao conquistar o título de Roland Garros (em sua primeira participação em torneios de "Grand Slam"), vencendo os melhores da época e na final, derrotando o espanhol Sergi Bruguera (que era bi-campeão desse torneio). Após essa conquista, Guga virou mania nacional. Veio o bi-campeonato em 2000, onde também, no qual foi sua melhor temporada, ele foi campeão da "Masters Cup", tornando-se o único tenista a derrotar, em dias seguidos, Pete Sampras e Andre Agassi (considerada sua melhor atuação na carreira). Além disso, consagrou-se como primeiro tenista brasileiro a ocupar o primeiro lugar no ranking da ATP.
Veio o tri de Roland Garros em 2001, que consagrou-o como lenda na França.







Mas como em qualquer outro atleta de elite, seu organismo vivia em uma linha tênue entre o ápice do rendimento e a lesão. O tênis, assim como diversos esportes, é uma atividade muito repetitiva. Imagine ficar durante mais de 3 horas rebatendo uma bola com a maior força possível, quase que ininterruptamente, além de treinos extremamente longos - digo ainda que alguns, como treinos de saque e técnica, são desnecessariamente longos. Qualquer desequilíbrio que você possua em seu corpo, provavelmente ele será agravado, até se tornar uma lesão crônica. Foi o caso de Guga.

Porém, a lesão faz parte do esporte - É NATURAL. Embora muitos colegas da área não pensem assim. Preferindo assim, evitar ultrapassar limites com MEDO da lesão. Há uma linha de pensamento muito forte na área de treinamento com pesos que pensa assim. Uma linha que está dominando até o cenário do esporte de alto rendimento (por incrível que pareça há atletas que treinam sempre com um treinador ao redor sempre preocupado em lesão!).

A palavra da moda: "overtraining" ou "supertreinamento". Que nada mais é do que treinar demais, sem repouso adequado e sem alimentação adequada. Mas o problema é que "overtraining" não pode ser visto como um bicho de sete cabeças. Todo o atleta (amador ou profissional) que treina sério já passou por situações de "overtraining". O que diferencia de um que não se lesiona para o que se lesiona é a capacidade de auto-percepção, de conhecer a si mesmo. Se o atleta possui uma noção de seu corpo, quando chegar ao extremo de sua condição física, ele mesmo sentirá que estará no limite. Nosso corpo envia sinais (abaixa a imunidade, aparecendo gripes, dores de cabeça, cansaço em demasia, falta de concentração, ansiedade, sono, etc.), aos quais, cabe ao atleta e aos treinadores serem capazes de diagnosticá-los. Os treinadores e preparadores físicos, ao perceberem ou serem comunicados que seu atleta se encontra em estado de "overtraining", se os mesmos possuirem o mínimo de humildade, deverão aceitar o fato que tenham, talvez, exagerado em seus planejamentos, e, então, realizarem as devidas modificações.
A lesão de Guga ainda não foi explicada. Sobre esse tema, irei optar pelo silêncio para evitar complicações e más interpretações. Mas que algo como a má iniciação ao desporto (falta de vivência em outras modalidades, por exemplo) e um fraco reforço muscular (poh! Guga come banana até hoje, enquanto outros atletas utilizam algumas substâncias que nem na lista do doping devem aparecer)... Isso é certo! - talvez seja uma "Teoria da Conspiração" adaptada por "Dall'Aqua", mas que acredito fielmente. Isso sim!... Bom... Resumidamente, a lesão de Guga apareceu e seu rendimento caiu. Essa lesão o incomodou durante o restante de sua carreira.
Mesmo assim, em 2004, Guga derrotou (em Roland Garros) o então melhor tenista da época (e até hoje o é) Roger Federer por 3 sets a 0. Ultima partida que Federer perdeu por 3 a 0 até hoje. Apesar disso, a mídia nacional chegou a criticar Guga. Alguns comentaristas esportivos chegaram até denominar suas atuações de "vergonhosas" ou "apáticas". Pegaram no pé de Guga durante um tempo da mesma forma que pegam no pé de Romário, Ronaldo, Ronaldinho. Mas cá entre nós, comparar Guga com qualquer um desses é muita estupidez. Guga é de outra nação. De outro continente. Outro Mundo! Guga é aquela pessoa que se não fosse famosa, seria igual ao que é hoje. É um herói. E assim como nossos Heróis (não aqueles heróis que Pedro Bial "consagra" nos Big Brother's) Guga será esquecido pelo povo ou não tão lembrado como deveria (espero que esteja errado).




Assisti no canal Sportv, nesse fim de semana, a um programa sobre atletismo, onde apareceu uma ex-atleta da modalidade salto em altura, Aida dos Santos Menezes que, para as Olimpíadas de Tóquio 1964, no Japão, teve que saltar 5 vezes o índice olímpico, pois o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) não queria levar uma atleta, e muito menos uma atleta negra para Tóquio. Na vila Olímpica ela foi isolada. Sem treinador e sem sapatilhas para treinar e competir, ela treinou por si mesma, e conseguiu, antes da competição, um par de sapatilhas emprestadas de um atleta cubano. Mesmo com uma lesão no tornozelo (pois sem treinador as chances são maiores de lesão), Aida dos Santos conquistou o quarto lugar. Ela até hoje participa de competições masters, e mesmo sendo de origem humilde, se formou em educação física, geografia e pedagogia. Heroína brasileira. Muito pouco ou nada lembrada em nosso país.





Aida dos Santos - Heroína brasileira nos Jogos Olímpicos de Pequim, 1964.

Poderia contar a história de inúmeros outros atletas nossos que fizeram tanto pelo esporte, porém hoje ninguém os lembra. É só irmos ao Museu do Esporte aqui em Porto Alegre para observarmos. Apenas fotos de jogadores de futebol, árbitros e em menor escala, jogadores de vôlei e basquete e por fim, alguns ginastas da moda e tal. Esporte? Será que essa palavra, para o brasileiro é sinônima de futebol? Quantos comentaristas esportivos que só falam sobre futebol nós temos na televisão? E mesmo assim, será que os ídolos do passado são lembrados como deveriam? Olha o Pelé. Admirados por todos lá fora. Aqui, tem alguns ainda que se dão ao trabalho de prestarem atenção nas bobagens que Maradona fala e apresentam programas inteiros com um debate: Será Maradona melhor que Pelé? Fala sério.

Mas é um exemplo marcante de como nós desvalorizamos o que é nosso. Maradona, não servindo nem para limpar chuteiras do Pelé, na Argentina é idolatrado até hoje. Mesmo nunca sendo um atleta exemplar e ex-usuário de drogas. Caso alguém argumentar que é devido a Copa do Mundo. Bom, Pelé tem 3. Outros títulos, não há nem comparação. Capacidade atlética? Maradona, mesmo com todas as substâncias dopantes no planeta não chegaria à capacidade que Pelé tinha. Assistam ao filme do Pelé (não ao que o Chaves insiste em assistir). Corria muito, era forte, saltava igual a um levantador de peso (com muita potência - olhem a foto abaixo de Pyrros Dimas e vejam o quanto ele pulava em suas comemorações), tinha agilidade, flexibilidade, etc. Um atleta, para os padrões da época, perfeito. Hoje, talvez, Mariusz Pudzianowski seja esse atleta.

Pyrros Dimas - Tri-campeão olímpico de Levantamento de Peso e um dos melhores levantadores de peso de todos os tempos. De acordo com Stone e Kirksey in Garrett Jr. e Kirkendall (2003), os levantadores de peso chegam a saltar verticalmente com as pernas estendidas (um dos testes padrões para a avaliação de potência dos membros inferiores), em média, 75.4 cm, superando nesse estudo, atletas do basquete, futebol americano, velocistas, saltadores, etc.




Mariusz Pudzianowski - 4 vezes o campeão do "The World Strongest Man" - corre, possui flexibilidade, coordenação, potência, velocidade, agilidade e, além de tudo, pesa mais de 130 kg em 1.86m de altura.



Retornando novamente ao tema principal, Guga. Será que se ele fosse argentino ele seria mais valorizado. Certamente. Até o tênis seria mais desenvolvido após sua consagração. No Brasil ficou na promessa. Continua tudo como era antes de Guga. Alguns poucos e bastante teimosos treinadores ainda comandam nosso tênis. Raras as oportunidades em que observamos profissionais capacitados como o Ms. Charles Lopes fornecendo prescrição e montagem de treino para alguns tenistas mais conscientes. Não há planejamento em relação à formação e seleção de talentos. Mas se nem no futebol há isso! Como poderia exigir que houvesse no tênis?! Erro da minha parte. Desculpem-me.
Como posso afirmar que na Argentina seria diferente? Olhem o basquete. Houve planejamento. Surgiu uma equipe campeã olímpica. Continuou esse planejamento, mesmo após algumas derrotas. Não precisa mudar por causa de uma derrota. Assim como a lesão, a derrota também é NATURAL! (Lembram das variáveis do rendimento? São muitas...). Provavelmente, após a era Ginobili, haverão outros. Após a era Messi, surgirão outros. Após a era de Contempomi e Corleto (jogadores de rugby) surgirão outros. Por que? Porque nesse país vizinho há PLANEJAMENTO. Planejamento foi o que fez o internacional ser um time forte. Não digo ser campeão da Libertadores, pois aí, de acordo com Dall'Aqua em sua "Teoria da Conspiração", algo maior está por trás disso. Nem comento sobre o Mundial.


Felipe Contempomi - Um dos destaques da Argentina no Mundial de Rugby em 2007.














Manu Ginóbili - Jogador do San Antonio Spurs e líder da Argentina na conquista da Medalha de Ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004.


Finalizando, Guga não recebeu ainda nem um décimo das homenagens que deveria receber de nós (brasileiros). Espero que sejamos capazes de imortalizá-lo em nossa história, pois o que ele conquistou e, principalmente, como ele conquistou são ensinamentos que podemos e devemos transmitir aos nossos descendentes.





Para mais informações, dúvidas ou sugestões, comentem ou enviem um e-mail para rdallsantos@hotmail.com.

Obrigado!

Rodrigo Dall'Aqua